Mesmo os bebés muito doentes beneficiam da amamentação

Programa experimental do Hospital Pediátrico de Filadélfia

17 novembro 2010
  |  Partilhar:

Investigadores do Hospital Pediátrico de Filadélfia, EUA, descrevem um programa de sucesso em que as enfermeiras ajudaram mães a atingir altas taxas de aleitamento materno em bebés muito doentes - recém-nascidos com defeitos congénitos complexos que necessitaram de cirurgia e de cuidados intensivos. Os resultados foram publicados no “Journal of Perinatal & Neonatal Nursing”. 

 

O leite materno ajuda a combater a infecção e fornece ingredientes nutritivos facilmente digeríveis que podem reduzir a permanência da criança na unidade de cuidados intensivos neonatais. Mas porque os bebés estão em estado crítico, muitas vezes, a amamentação não pode ser considerada uma prioridade, ou até mesmo ser viável, quando comparada com os problemas médicos urgentes. "O leite humano é importante para todos os recém-nascidos, mas especialmente para as crianças doentes", disse a mentora do projecto Diane L. Spatz, enfermeira do Hospital Pediátrico de Filadélfia.

 

O leite materno protege o bebé internado na unidade de cuidados intensivos da enterocolite necrosante, uma doença devastadora do intestino, bem como de uma série de doenças infecciosas. "É de fundamental importância que todas as mães tomem a decisão informada de fornecer leite materno aos seus filhos, e que os enfermeiros prestem cuidados de lactação baseadas nas provas e apoiem as mães para alcançarem sucesso", acrescentou Spatz.

 

Spatz e o co-autor Taryn M. Edwards, também do Children's Hospital, descrevem uma série de medidas chamadas de “Transição para o Caminho da Amamentação”, em que as enfermeiras da UCI sistematicamente orientam as mães em práticas de aleitamento materno, que culminou com a maioria das crianças do estudo (58 de 80) a serem alimentadas da mama da mãe antes de lhes ser dada alta hospitalar. Todos os bebés nasceram com anomalias complexas cirúrgicas, tais como defeitos da parede abdominal, anormalidades no esófago, ou hérnia diafragmatia congénita (um defeito no diafragma, músculo que separa a cavidade torácica do abdómen) e estiveram internados na UCI entre 2008 e 2009.

 

Com estes bebés estão muito frágeis, as mães podem ter que esperar dias ou até semanas antes que sejam capazes de os poder colocar no colo. Portanto, os enfermeiros, seguiram um sistema passo a passo, chamado de “Transição para o Caminho da Amamentação”, que começa com a mãe a aprender a bombear o leite logo após o parto. Antes de o bebé ser capaz de mamar no peito, as mães aprendem a prestar os cuidados de fornecimento do mesmo à boca do bebé com um pouco de leite humano num cotonete ou numa chucha. As enfermeiras também ensinam os cuidados de pele com pele, deixando que a mãe mantenha a criança perto do seu corpo. O contacto pele com pele reduz o stress na criança e na mãe, aumenta a produção de leite e alimenta o vínculo mãe-bebé.

 

Segundo a líder do projecto: "este caminho pode ser replicado em berçários de cuidados intensivos de todo o mundo, permitindo que as crianças atinjam melhores resultados de saúde, e as suas mães tenham a oportunidade de seguir o caminho natural de vínculo que o aleitamento materno proporciona."

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.