Mercúrio afeta benefícios do exercício aeróbico no cérebro

Estudo publicado na revista “Environmental Health Perspectives”

21 setembro 2016
  |  Partilhar:

Os indivíduos expostos a elevadas quantidades de mercúrio antes do nascimento não tiram partido dos efeitos benéficos que a prática de exercício aeróbico tem na função cognitiva, sugere um estudo publicado na revista “Environmental Health Perspectives”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Escola de Saúde Pública de Harvard T.H. Chan, nos EUA, apurou que os adultos com elevado nível de exposição ao metilmercúrio, proveniente na sua maioria do consumo materno de peixe com elevadas concentrações deste metal, não apresentaram uma melhoria na rapidez do processamento cognitivo e na memória, tal como foi observado para aqueles expostos a baixas concentrações de mercúrio.
 

O mercúrio é proveniente da poluição industrial do ar que atinge a água onde se transforma em metilmercúrio e se acumula nos peixes. Os investigadores, liderados Youssef Oulhote, suspeitaram que a exposição pré-natal ao metilmercúrio, conhecido por ter efeitos tóxicos no desenvolvimento do cérebro e no sistema nervoso, poderia limitar a capacidade de o sistema nervoso crescer e se desenvolver em resposta a um aumento da atividade aeróbica.
 

De forma a testar esta hipótese, os investigadores contaram com a participação de 197 indivíduos oriundos das ilhas Faroé, onde o peixe é o principal componente da dieta. Os participantes foram acompanhados desde o útero até aos 22 anos, tendo sido estimada a sua VO2 max ou a taxa a que conseguiam utilizar o oxigénio, que aumenta com o desempenho aeróbico. Os indivíduos foram também submetidos a vários testes cognitivos, que incluíram avaliação da memória de curta duração, compreensão verbal, velocidade psicomotora, processamento visual, armazenamento de longa duração e recuperação, bem como velocidade de processamento cognitivo.
 

O estudo apurou que valores de VO2 max mais elevados estavam associados a uma melhor função neurocognitiva. A eficiência cognitiva, que incluiu rapidez do processamento cognitivo e memória de curto prazo, foi a que mais beneficiou do aumento da VO2 max.
 

Contudo, quando os investigadores dividiram os participantes em dois grupos, tendo por base os níveis de metilmercúrio a que tinham sido expostos no útero, verificaram que os feitos benéficos ficaram confinados ao grupo que teve a exposição mais baixa.
 

Os participantes com níveis de metilmercúrio pré-natal inferiores a 35 microgramas por litro no sangue do cordão umbilical, ainda apresentaram melhor eficácia cognitiva com valores mais elevados de VO2 max. No entanto, nos participantes com níveis de metilmercúrio superiores, a função cognitiva não melhorou com o aumento da VO2 max.
 

“Sabemos que o exercício aeróbico é uma parte importante do estilo de vida saudável, mas estes resultados sugerem que a exposição no início da vida a poluentes podem reduzir os potenciais benefícios. Temos de dar especial atenção ao ambiente que criamos para mães grávidas e bebés”, concluiu Gwen Collman diretor do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental, nos EUA.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.