Menos horas de sono afecta actividade hormonal

Sobem os valores dos indicadores de inflamação no organismo

09 dezembro 2004
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Perder algumas horas de sono pode prejudicar o desempenho diário e alterar os níveis hormonais no corpo.«Mesmo uma pequena perda de sono afecta os hormonas», afirmou o médico Alexandros Vgontzas, professor de psiquiatria da Universidade da Pensilvânia, em Hershey. Apesar de ter sido demonstrado constantemente que a falta de sono influencia de forma negativa o funcionamento mental e psicológico, muitos cientistas não acreditam que reduções pequenas do tempo de sono causem muitos danos. «Eles acham que isso não é muito significativo», apontou Vgontzas. Vgontzas e sua equipa, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, estudaram 25 homens e mulheres jovens e saudáveis que concordaram em passar 12 dias consecutivos num laboratório do sono. Nas primeiras quatro noites, dormiram oito horas. Mas, nas noites restantes, os participantes foram acordados na sexta hora de sono.Uma semana depois da diminuição do tempo que tinham para dormir, os cientistas mediram as mudanças na qualidade do sono nocturno, sonolência durante o dia, actividade hormonal _ analisada através de exames de sangue _ e o desempenho de hora em hora _ avaliado em testes de atenção.Os participantes do estudo adormeciam mais rápido e dormiam mais profundamente, um sinal de que o corpo tentava a adaptar-se à perda de horas de sono. Durante o dia, os que dormiram menos demonstraram sinais de sonolência e saíram-se pior no teste.Além disso, os cientistas verificaram que a redução das horas de sono afectaram os níveis hormonais. Homens e mulheres tiveram um aumento médio entre 40 e 60 por cento no indicador de inflamação, a interlucina-6 (IL-6), enquanto apenas os homens mostraram uma elevação de 20 a 30 por cento noutro indicador de inflamação, o factor de necrose tumoral (TNF). Tanto a IL-6 quanto o TNF são citocinas -- proteínas liberadas pelo corpo em resposta a um ferimento.«As mulheres passaram melhor e recuperaram mais rapidamente», apontou Vgontzas. Além de não produzirem quantidades elevadas de TNF, elas conseguiram dormir de forma mais sadia, alcançando 70 minutos de sono profundo, ou movimento rápido do olho (REM, na sigla em inglês), comparado aos 40 minutos dos homens.Os resultados indicam que dormir oito horas ininterruptas à noite em vez de cerca de seis não representa um bónus, mas é necessário, disse Vgontzas. «Não existe um sono opcional», apontou o especialista, acrescentando que «essas duas ou três horas são importantes para o funcionamento (da pessoa) durante o dia.»A descoberta de que a falta de sono pode estimular um aumento na resposta inflamatória crónica de nível baixo é preocupante, já que esse estado tem sido associado a condições como hipertensão, doenças cardíacas e, mais recentemente, à diabetes, apontou Vgontzas. «Reduzir mesmo em poucas horas o tempo de sono é um risco grande para a segurança pública», alertou o cientista.Paula Pedro MartinsJornalistaMNI- Médicos na Internet

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