Menos horários e mais tempo livre beneficiam crianças

Estudo publicado em “Parenting: Science and Practice”

10 julho 2014
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As crianças com horários rígidos e pouco tempo livre parecem demonstrar mais dificuldades de raciocínio, resolução de problemas e planeamento, aponta um novo estudo.
 

“Quanto mais tempo as crianças passarem em atividades menos estruturadas, mais capacidade têm para ser autodirigidas, sendo que o contrário é também verdade: quanto mais tempo passam em atividades estruturadas, menos capazes são de utilizarem a função executiva”, afirmou Yuko Manokata, professora de psicologia e de neurociências e autora do estudo.
 

Conduzido pela Universidade do Colorado, nos EUA, o estudo procurou determinar se a adoção de um estilo de vida baseado em atividades agendadas e estruturadas afetava a forma como o cérebro de uma criança se desenvolve.
 

A equipa de investigadores contou com a participação de 70 crianças de 6 anos de idade. Esta idade foi escolhida pelo facto de as crianças nesta fase terem já algumas atividades estruturadas. Foram tidos em conta fatores como o rendimento familiar, sexo das crianças, cultura e vocabulário das mesmas.
 

Os pais das crianças foram questionados sobre as atividades diárias dos seus filhos no decurso de uma semana. Determinou-se, em seguida, o nível de empenhamento das crianças em atividades estruturadas e não-estruturadas, através da classificação de usos do tempo. As atividades estruturadas envolviam aulas, tarefas, a prática de desportos, etc., e as não-estruturadas o tempo despendido a brincar livremente, ver televisão, ler, etc.
 

As crianças foram avaliadas relativamente à sua função auto-diretiva através de um teste que media a sua capacidade de atingirem um objetivo. Para o efeito, foi-lhes pedido que dissessem os nomes de todos os animais que se lembrassem no espaço de um minuto. Foi observado que as crianças que conseguiram nomear animais agrupando-os através da sua classe (aquáticos, terrestres, por exemplo) conseguiram, em geral, nomear uma maior quantidade, algo que é considerado um sinal de função executiva.
 

Embora tenha sido estabelecida uma associação entre o grau de estrutura na vida de uma criança e o desenvolvimento da função executiva, os investigadores não podem afirmar se a forma como a criança despende o seu tempo prevê o seu nível de função executiva. Não foi igualmente identificada uma relação de causa e efeito.
 

A autora do estudo conclui que as crianças poderão beneficiar com mais tempo livre, já que assim terão a possibilidade de desenvolver um maior espetro de importantes competências para a vida.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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