Memórias traumáticas podem ser apagadas?

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

03 maio 2011
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Poderão os veteranos de guerra, as vítimas de violação e outras pessoas que presenciaram crimes hediondos apagar as memórias traumáticas que as assombram? Um estudo da University of California - Los Angeles, nos EUA, relatou no “Journal of Neuroscience” uma descoberta que pode tornar a redução das memórias traumáticas uma realidade.

 

Cientistas liderados pelo neurocientista David Glanzman identificaram uma forma de eliminar ou reduzir substancialmente a memória a longo prazo no caracol marinho conhecido como Aplysia. Os investigadores conseguiram remover os neurónios-chave do sistema nervoso do caracol e colocaram-nos numa placa de Petri, para recriar os dois neurónios do "circuito" que produz o reflexo - um neurónio sensorial e um neurónio motor.

 

Verificaram que a memória de sensibilização de longo prazo do caracol marinho pode ser apagada através da inibição da actividade de uma determinada proteína quinase - uma classe de enzimas que modifica as moléculas quimicamente acrescentando-lhes fosfatos (um produto químico inorgânico), facto que altera a estrutura e a actividade das proteínas. A proteína quinase é chamada PKM (proteína quinase M), um membro da classe conhecida como proteína quinase C (PKC), que está associada à memória.

 

Os dados deste estudo têm importantes implicações para o tratamento do distúrbio de stress pós-traumático, bem como para a toxicodependência, patologias nas quais a memória desempenha um papel importante, e talvez na doença de Alzheimer e noutros transtornos da memória de longo prazo.

 

O estudo mostra que PKM é rara na medida em que, embora a maioria das proteínas quinases tenham um domínio catalítico, que é a parte da molécula que faz o seu trabalho, e um domínio regulador, semelhante a um processo que liga-desliga  e que pode ser usado por outras vias de sinalização para desliga a actividade da quinase, a PKM só tem o domínio catalítico  - e não o regulatório. "Descobrimos que ao inibirmos a PKM no caracol marinho, conseguimos apagar a memória de sensibilização a longo prazo", disse Glanzman, acrescentando que "além disso, conseguimos apagar a mudança a longo prazo na única sinapse que está por trás da memória de longo prazo do caracol".

 

Em comunicado de imprensa, os cientistas dizem acreditar que esta descoberta é o primeiro passo para alcançar um modo de impedir a formação de uma memória traumática específica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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