Memórias positivas revertem depressão induzida por stress

Estudo publicado na revista “Nature”

21 julho 2015
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A reativação de memórias armazenadas durante uma experiência positiva pode suprimir os efeitos da depressão induzida por stress. O estudo publicado na revista “Nature” mostra como as memórias positivas e negativas interagem nas doenças de humor e fornece um circuito cerebral específico para futuras intervenções clínicas.
 

De forma a tentar perceber se uma memória positiva poderia impor-se a uma negativa, os investigadores do Centro de Genética dos Circuitos Neuronais RIKEN-MIT (parceria entre o Centro de Ciências do Cérebro RIKEN, no Japão, e o MIT, nos EUA) utilizaram ratinhos geneticamente modificados nos quais as células de memória de uma área do cérebro conhecida como giro dentado poderiam ser marcadas, enquanto as memórias eram formadas. Estas células poderiam ser mais tarde reativadas com uma fibra ótica que emitia uma luz azul e que estava implantada no giro dentado. Desta forma, era possível ativar as células de memória criadas em experiências prévias.
 

Para testar este sistema, os investigadores submeterem os ratinhos a uma experiência positiva que resultou numa memória do evento. Posteriormente os animais foram expostos a uma experiência stressante que os conduziu a um estado semelhante ao da depressão. Enquanto estavam deprimidos, a luz foi utilizada para estimular o giro dentado de alguns ratinhos e reativar as células de memória para a experiência positiva.
 

O estudo apurou que esta ativação conduziu a uma recuperação robusta do estado depressivo. O mapeamento do circuito cerebral para este efeito mostrou que existem duas outras áreas do cérebro, BLA e NAcc, que cooperam com o giro dentado.
 

Com intuito de verificar se a recuperação da depressão poderia envolver alterações persistentes no circuito cerebral que permaneciam mesmo durante a estimulação da luz, os ratinhos foram submetidos, durante cinco dias à terapia com a luz, assegurando a reativação das memórias positivas.
 

Os investigadores verificaram que os ratinhos expostos a este tipo de terapia eram mais resilientes aos efeitos daa depressão induzida pelo stress. Estes resultados sugerem que o armazenamento das experiências positivas no giro dentado pode ser utilizado para suprimir ou substituir os efeitos prejudiciais do stress no comportamento, um novo conceito do controlo do humor.
 

Na opinião dos autores do estudo ainda é muito cedo para concluir se memórias positivas, em geral, podem atenuar os efeitos da depressão induzida pelo stress. No entanto, é evidente que as células do giro dentado são alvos promissores para abordagens terapêuticas para os estados de humor alterados.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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