Memória imunológica pode ser influenciada?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

13 janeiro 2016
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Investigadores americanos encontraram uma forma de influenciar a formação da memória a longo prazo no sistema imunitário, revela um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Ao primeiro sinal de uma invasão bacteriana ou viral, o sistema imunológico lança uma linha de defesa orquestrada. Caso a infeção se propague, o sistema imunológico produz células especializadas para combater o agente patogénico invasor. Estas células, conhecidas como células efetoras, começam a destruir o agente patogénico específico.
 

Após a infeção ser eliminada, algumas destas células permanecem no organismo para se tornarem células de memória. No caso de o organismo ser novamente infetado com o mesmo agente patogénico, o sistema imunológico vai reconhecê-lo e responder rapidamente com um ataque direcionado.
 

No estudo, os investigadores Instituto de Investigação Virginia Tech Carilion, nos EUA, constataram que as proteínas que respondem ao ambiente celular são capazes de influenciar o programa de memória genético. O ambiente pode de facto “empurrar” as células efetoras para a memória.
 

“Acreditava-se que as células efetoras e de memória surgiam de duas populações distintas, algumas estavam destinadas a serem do tipo efetoras e outras de memória. Agora verificámos que há uma fluidez bem maior entre os tipos de células do que habitualmente se pensava”, referiu o investigador.
 

A presença de determinadas proteínas pode influenciar o destino das células. A interleuquina-2 (IL-2), por exemplo, é uma proteína altamente inflamatória produzida no início da infeção. Os níveis da IL-2 mantêm-se elevados até a infeção estar controlada. À medida que os níveis desta interleuquina diminuem, as células efetoras podem ativar uma proteína denominada por Bcl-6. Esta proteína inicia a produção de células T auxiliares foliculares, que estão envolvidas na produção de anticorpos específicos contra o agente patogénico invasor.
 

Os investigadores já tinham previamente constatado que na presença de níveis baixos de IL-2, o gene TFH era ativado, levando as células efetoras a tornarem-se células T auxiliares foliculares. Neste estudo verificou-se que tanto as células T auxiliares foliculares como as de memória eram ativadas.
 

O estudo apurou ainda que para além das células efetoras terem o perfil de células T auxiliares foliculares e de memória, também expressavam recetores para duas proteínas distintas: a interleuquina-6 (IL-6), e a interleuquina-7 (IL-7).
 

Enquanto a IL-6 influencia o desenvolvimento de células T auxiliares foliculares, a IL-7 é importante na manutenção da memória, assegurando a persistência da memória anos após a infeção inicial. Os investigadores verificaram que a presença de qualquer uma destas proteínas poderia “empurrar” uma célula para um destino ou para outro.
 

Os investigadores referem que as células da memória central permitem que ocorra uma resposta rápida aos antigénios, impedindo que a infeção seja iniciada. Por outro lado, estas células desempenham também um papel importante na eficácia das vacinas.
 

Apesar de ainda existir muito trabalho pela frente, os autores do estudo acreditam que estes resultados poderão ajudar a melhorar a eficácia das vacinas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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