Memória dos idosos é afetada pela qualidade do sono

Estudo publicado na “Nature Neuroscience”

30 janeiro 2013
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A má qualidade de sono sentida pelos idosos está associada a um deficiente armazenamento das memórias, sugere um estudo publicada na revista “Nature Neuroscience”.
 

“Descobrimos uma via disfuncional que ajuda a explicar a associação entre a detioração cerebral, a interrupção do sono e perda de memória que ocorre à medida que envelhecemos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Matthew Walker.
 

Os investigadores da University of California, nos EUA, descobriram que as ondas de sono lentas produzidas no sono profundo e durante a juventude desempenham um papel importante no transporte de memórias do hipocampo, uma região do cérebro que está associada ao armazenamento de curta duração das memórias, para o córtex pré-frontal o qual funciona como um “disco rígido”.
 

Contudo, nos idosos, as memórias podem ficar “presas” no hipocampo, devido à má qualidade do sono profundo, e substituídas por novas memórias. Foi verificado que, em média, a qualidade do sono profundo dos idosos era 75% menor, comparativamente com a dos jovens. Após terem sido submetidos a um teste de memória, que implicava a aprendizagem de um conjunto de 120 palavras, foi verificado que a capacidade de os idosos se lembrarem deste conjunto de palavras no dia seguinte era 55% mais baixa comparativamente com a capacidade dos jovens.
 

“Quando somos novos, temos um sono profundo que ajuda o cérebro armazenar e a reter novos factos e informações. Contudo, à medida que envelhecemos, a qualidade do nosso sono deteriora-se e impede que essas memórias sejam gravadas no cérebro durante a noite”, explicou o investigador.
 

A descoberta de que as ondas de sono lento no córtex frontal ajudam a fortalecer as memórias poderá ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos para a perda de memória nos idosos, como estimulação transcraniana por corrente contínua. Um estudo recente realizado por neurocientistas alemães demonstrou que a estimulação elétrica do cérebro de jovens adultos aumentava a duração do sono profundo e duplicava a sua memória.
 

Os investigadores estão a planear utilizar um estudo semelhante em idosos para a avaliar se a memória destes pode ser melhorada. A possibilidade de melhorar a memória das pessoas idosas é algo muito interessante”, conclui o primeiro autor do estudo, Bryce Mander.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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