Memória de curto prazo: como é perdida?

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

06 fevereiro 2014
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Uma equipa internacional de investigadores apurou que a memória de curto prazo, como aquela utilizada para nos lembrarmos de um número de telefone que acabou de ser visualizado na televisão, não diminui após a informação deixar de estar visível. Na verdade, os neurónios continuam a representa-la mas com uma menor acuidade, o que conduz a uma degradação ao longo do tempo, refere um estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”.

 

Acredita-se que as memórias de curto prazo determinam a capacidade cognitiva, incluindo a forma como a informação é processada ou são feitos os cálculos matemáticos. De facto, os indivíduos com uma capacidade de memória de trabalho mais elevada obtêm melhores resultados nos testes de avaliação de inteligência, o que sugere que, no geral, esta está associada com as capacidades cognitivas.
 

Sabe-se que o córtex pré-frontal desempenha um papel importante na memória de curto prazo e que os indivíduos com doenças mentais como a esquizofrenia, depressão, ou demência apresentam deficiências neste tipo de memória.
 

De forma a tentar explicar como a memória é perdida, os investigadores do Instituto de Investigaciones Biomédicas Augut Pi i Suyner (Idibaps), em Espanha, utilizaram um modelo computacional, denominado por “bump atracto”. Este permite que o computador simule o processo de perda de informação no córtex pré-frontal. Este modelo sugere que os neurónios permanecem ativos à medida que a memória se degrada.
 

“A atividade da rede neuronal fica difusa, o que se traduz numa memória final diferente, distorcida. A distorção ocorre através da dispersão, não da perda de atividade. Anteriormente pensava-se que a memória diminuía, mas agora sabemos que os neurónios permanecem ativos mas perdem estabilidade”, explicou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Albert Compte.
 

Os autores do estudo referem ainda que a memória de trabalho é importante uma vez que é esta que controla a informação que nos permite interagir com o meio exterior, como a tomada imediata de decisões ou a adoção de um discurso estruturado. As principais funções da memória de trabalho é manter informação, reforçar a aprendizagem, formulação imediata de objetivos e resolução de problemas.
 

Este estudo mostrou agora que os neurónios têm informação sobre como a memória é perdida, e que essa informação é continuamente mantida no córtex pré-frontal, mesmo quando as memórias parecem ter desaparecido devido à falta de precisão.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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