Melhores práticas de parto

Conferência tem início hoje em Sesimbra

05 novembro 2015
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A partir de hoje, profissionais de Obstetrícia e Saúde Materna e Infantil, fisioterapeutas, outros profissionais na área do parto e utentes estão reunidos para discutir as melhores práticas no parto e a evolução registada nesta área em Portugal.
 
A conferência, com o lema “Dez anos passados, que futuro?”, pretende divulgar as melhores práticas de parto, de acordo com informação científica mais atualizada a nível mundial. 
 
"Um dos objetivos da conferência, que terá lugar no auditório Conde Ferreira, em Sesimbra, nos dias 5 e 6 de novembro, é fazer um balanço dos últimos dez anos na área da obstetrícia e da saúde materno-infantil em Portugal, perceber quais as mudanças que surgiram nestes anos, o que mudou e o que precisa de mudar", disse à agência Lusa Sandra Oliveira, fundadora do Bionascimento e a primeira doula – profissional preparada para dar suporte emocional, físico e informativo, no pré, durante e pós parto – portuguesa certificada a nível internacional.
 
"O período em que o Bionascimento se procura focar é na gravidez, no parto e no pós-parto. Abrange também algumas áreas da amamentação. A informação que procuramos transmitir tem a ver com a necessidade de atualização das práticas clínicas", disse.
 
De acordo com Sandra Oliveira, ao contrário daquilo que as pessoas pensam, ainda há hospitais públicos e privados com práticas clínicas muito desatualizadas no parto, que fazem com que Portugal continue a ter um atraso significativo, nos indicadores de qualidade, em relação a outros países europeus.
 
"Há dez anos, nos hospitais portugueses, as mulheres eram deitadas assim que chegavam, a todas era ministrado soro intravenoso, com muita frequência era aplicada ocitocina para acelerar o trabalho de parto, era efetuada a raspagem dos pelos púbicos, era aplicado a todas as mulheres um clister. E todas as mulheres eram deitadas, sem qualquer liberdade de movimentos", disse.
 
"Desde 1986 que há orientações da Organização Mundial da Saúde para que estas práticas sejam abolidas, visto não terem fundamento científico”, disse Sandra Oliveira, salientando que, apesar dessas orientações, ainda há hospitais públicos e privados com estas e outras práticas desatualizadas no acompanhamento das parturientes.
 
A fundadora do Bionascimento referiu ainda, como exemplo, a episiotomia, um corte junto à vagina da mulher para facilitar o parto, prática que também é considerada desatualizada desde há muito e que tem vindo a ser progressivamente reduzida em Portugal desde há dez anos, mas que, segundo afirma Sandra Oliveira, "ainda se faz, por rotina, em hospitais portugueses". 
 
"É um dos indicadores que o último relatório europeu dos cuidados perinatais refere, em que nós somos apontados como o pior país da Europa", alertou.
 
Apesar de reconhecer que houve uma melhoria significativa nos hospitais públicos nos últimos anos, Sandra Oliveira garante que Portugal continua a ser um país atrasado neste domínio, quando comparado com os países europeus mais desenvolvidos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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