Melhorar a auto-estima não é resposta para os problemas sociais
28 novembro 2001
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Aumentar a auto-estima das pessoas pode não ser a solução para os problemas sociais. De acordo com um estudo divulgado na quarta-feira, a valorização excessiva de si mesmo pode levar as pessoas a atitudes racistas e a arriscar a vida em actividades perigosas.
 

 

A baixa auto-estima tem sido uma das explicações mais citadas para os problemas sociais e pessoais, explicando as situações de adolescentes envolvidos em crimes violentos ou de adultos que não são bem sucedidos no trabalho.
 

 

No entanto, Nicholas Emler, o psicólogo social autor do estudo, afirmou à Reuters Health que esta pesquisa demonstra que as pessoas com fortes opiniões sobre elas próprias podem significar uma ameaça maior para os outros que aquelas que se valorizam pouco.
 

 

«Os indivíduos que têm baixa auto-estima tendem a prejudicar-se a si próprios. Os que têm uma auto-estima elevada podem causar transtornos às outras pessoas», destacou este investigador.
 

 

Como exemplo, N. Emler refere que os jovens com uma auto-estima muito alta são mais propensos a ter atitudes racistas, rejeitar as pressões sociais dos adultos e a participar em actividades fisicamente arriscadas, como conduzirem sob o efeito do álcool ou a velocidades muito altas.
 

 

«As ideias tão divulgadas que defendem a “elevação da auto-estima” do indivíduo como uma forma de resolver os problemas sociais alimentam um extenso mercado de manuais de auto-ajuda e programas educacionais afins», destacou Emler, professor da Escola de Economia de Londres.
 

 

Apesar desta pesquisa ter descoberto que a baixa auto-estima não é um factor de risco para a delinquência, a violência, o uso de drogas e o abuso de álcool, ela pode contribuir para a depressão, o suicídio, a gravidez precoce indesejada e pode mesmo fazer com que a vítima seja facilmente intimidada e influenciada pelos outros.
 

 

De acordo com Emler, a influência mais significativa para a auto-estima dos jovens são os pais, devido não só à carga hereditária, mas também, e talvez mais importante, à «quantidade» de carinho, preocupação e interesse que eles demonstram aos seus filhos desde a infância.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet

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