Melanoma uveal metastático: fármaco mostra-se promissor

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

26 junho 2014
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Um novo fármaco, o selumetinib, mostrou ser capaz de atrasar a progressão do melanoma uveal metastático, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.
 

O melanoma uveal é um cancro da íris, do corpo ciliar ou das estruturas que coletivamente formam a úvea. Este tipo de melanoma tem origem nos melanócitos da úvea, células pigmentares que dão cor aos olhos. Os tratamentos atuais não são eficazes após a disseminação da doença, com a maioria das metástases a aparecerem no fígado.  
 

A comunidade científica já tinha constatado, há algum tempo atrás, que 80% dos pacientes com melanoma uveal apresentavam mutações nos genes GNAQ e GNA11, que ativam a via de sinalização de uma proteína denominada por MAPK. Posteriormente, os investigadores da Universidade da Colômbia, nos EUA, demonstraram que a inibição de uma das enzimas envolvidas na via da MAPK, a MEK, inibia o crescimento das células do melanoma uveal em laboratório. Estes resultados foram conseguidos através da utilização de um fármaco denominado por selumetinib.
 

Foi neste contexto que em 2013 a mesma equipa de investigadores decidiu avançar com um ensaio clínico de fase II para testar a eficácia do fármaco. Neste ensaio, 101 pacientes com cancro uveal metastático foram aleatoriamente tratados com selumetinib ou quimioterapia habitual.
 

O estudo apurou que a média de sobrevivência sem progressão do melanoma para os pacientes tratados com o selumetinib foi mais do dobro daquela encontrada para os pacientes incluídos no grupo da quimioterapia habitual (15,9 semanas versus 7 semanas). Foi verificado que o tumor entrou em regressão em 49 % dos pacientes tratados com o selumetinib, comparativamente com aqueles submetidos à terapia habitual.
 

Os investigadores, liderados por Gary K. Schwartz, também verificaram que a média de sobrevivência dos pacientes tratados com o novo fármaco era de 11,8 meses, comparativamente com os 9,1 meses encontrados no grupo sujeito à quimioterapia. Contudo, a diferença não foi estatisticamente significativa.
 

O estudo constatou que a grande maioria dos pacientes que tomou o novo fármaco apresentou efeitos secundários, incluindo erupções cutâneas, tumefação e alterações visuais. Apesar de grande parte dos efeitos terem sido controláveis, 37% dos pacientes necessitou de reduzir a dose da terapia pelo menos uma vez e 6% tiveram que a descontinuar.
 

“Apesar de os efeitos do fármaco terem sido moderados, agora sabemos que podemos influenciar o curso da doença, e esperamos obter resultados positivos com outros fármacos, incluindo alguns que já se encontram em desenvolvimento”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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