Melanoma: lei dos solários deveria ser mais restritiva

Declarações do presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

26 julho 2012
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A legislação sobre os solários deveria ser mais restritiva tendo em conta o conhecimento acumulado nos últimos 10 anos de investigação sobre o assunto, de acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV).
 

Segundo um estudo publicado recentemente no “British Medical Journal”, os utilizadores de solários têm uma probabilidade 20% maior de desenvolver melanoma, em comparação com as pessoas que nunca os utilizaram e o risco duplica quando a utilização começa antes dos 35 anos.
 

Esta é "uma notícia esperada", revelou Américo Figueiredo à agência Lusa. “É o acumular de muitos estudos científicos que nos últimos 10 anos têm demonstrado de forma clara que a exposição a solários aumenta a incidência de melanoma, nomeadamente nas mulheres e nos jovens".
 

Recordando que a atual legislação sobre solários data de 2005 e resulta da transposição de uma diretiva comunitária de 2001, Américo Figueiredo defendeu que a experiência científica acumulada desde então permite concluir que a lei deveria ser "mais restritiva".
 

O médico referiu que o tipo de lâmpadas que podem ser utilizadas nos equipamentos: "Na diretiva de 2001 fomos muito permissivos, porque pode utilizar-se lâmpadas de UVB e só deveria ser permitido usar lâmpadas de UVA".
 

A caderneta do utilizador e a declaração de consentimento informado são outras áreas em que o clínico defende mudanças, devendo esta última conter informação atualizada sobre os riscos da exposição ao solário.
 

"Os utentes devem assinar um consentimento informado à luz dos conhecimentos de hoje e não dos de 2001", acrescentou.
 

Adicionalmente as autoridades deveriam "fiscalizar de forma assertiva" a aplicação da lei, nomeadamente verificando se os profissionais têm a formação exigida e se os utentes têm fichas com inscrição de todos os tratamentos.

 

Sobre a realidade portuguesa, Américo Figueiredo afirmou que se estima que, em 2012, ocorram 10 mil novos cancros de pele, entre os quais cerca de mil novos melanomas.
 

O presidente da SPDV deixou ainda um alerta contra a exposição excessiva ao sol, já que o que se pode imputar aos solários representa apenas 5% do total dos melanomas.
 

Considerou "um atentado biológico" que o ser humano seja o único animal que não evita o sol nas horas de calor intenso.
"É uma prova quase de irracionalidade e de fuga à biologia que o humano seja o único que procura o Sol só porque existe uma moda, que é o bronzeado, que vai passar, mas vai deixar muita gente pelo caminho".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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