Mel pode reverter a resistência aos antibióticos

Estudo realizado pelos investigadores da University of Wales Institute

15 abril 2011
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O mel de manuka consegue tratar de um modo eficaz as feridas cronicamente infectadas e poderá ajudar a reverter a resistência aos antibióticos, dá conta um estudo que foi apresentado na Society for General Microbiology's Spring Conference, no Reino Unido.
 

Já há muito que são conhecidas as propriedades antimicrobianas do mel. Diversas civilizações antigas utilizaram medicamentos tradicionais que continham mel no tratamento tópico de feridas. O mel de manuka é derivado do néctar colhido pelas abelhas que se alimentam da manuka, uma árvore nativa da Nova Zelândia. Este produto é licenciado e utilizado no cuidado de feridas em todo o mundo. No entanto, as suas propriedades antimicrobianas ainda não foram totalmente exploradas pela medicina moderna e os seus mecanismos de acção ainda não são conhecidos.
 

Para este estudo, os investigadores da University of Wales, no Reino Unido, decidiram investigar a forma como o mel de manuka interagia com algumas das bactérias que infectam habitualmente as feridas: Pseudomonas aeruginosa, Streptococcus grupo A e Staphylococcus aureus meticilino resistentes (SARM).
 

O estudo revelou que o mel dificulta a adesão da Pseudomonas aeruginosa e do Streptococcus grupo A aos tecidos, que é um passo essencial para o início das infecções agudas. A inibição da adesão também bloqueia a formação de biofilmes que protegem as bactérias da acção dos antibióticos, permitindo que estas causem infecções persistentes.
 

A equipa liderada por Rose Cooper também mostrou que o mel conseguia tornar o SARM mais sensível à acção dos antibióticos, como é o caso da oxacilina, revertendo eficazmente a resistência ao antibiótico. “Isto indica que os antibióticos podem ficar mais eficazes contra infecções resistentes a estes fármacos se foram utilizados conjuntamente com o mel de manuka”, afirma a investigadora num comunicado enviado à imprensa.
 

Rose Cooper adiantou ainda que “necessitamos de formas inovadoras e eficazes para controlar as feridas infectadas (…)”. Actualmente, a maioria das intervenções antimicrobianas são realizadas através de antibióticos sistémicos. “O uso de um agente tópico para erradicar as bactérias das feridas é mais económico e pode melhorar o tratamento com antibióticos no futuro. Isto iria ajudar a reduzir a transmissão de bactérias resistentes a antibióticos, que colonizam as feridas, para os pacientes susceptíveis.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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