Meias de compressão podem melhorar a apneia do sono

Estudo será publicado no “Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”

29 setembro 2011
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Usar meias de compressão pode ser uma maneira simples de reduzir os efeitos da apneia obstrutiva do sono em pacientes com insuficiência venosa crónica, revela um estudo europeu, que será publicado no “Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”.

 

"Descobrimos que em pacientes com insuficiência venosa crónica, as meias de compressão reduziram a acumulação de líquidos durante o dia nas pernas, o que, por sua vez, reduziu a quantidade de líquido que flui para o pescoço à noite, diminuindo assim o número de apneias e hipopneias em mais de um terço", explicou, em comunicado de imprensa, a líder da investigação, Stefania Redolfi, da Universidade de Brescia, na Itália.

 

Para investigar se as meias de compressão podiam aliviar este problema, os investigadores recrutaram pacientes do hospital La Pitié-Salpêtrière em Paris. Doze pacientes foram aleatoriamente escolhidos para vestir as meias de compressão durante uma semana ou, para num período de controlo também de uma semana, não usarem meias de compressão, sendo que, no final da primeira semana, os voluntários que não usaram meias passavam a usar e os restantes deixavam de usá-las.

 

Cada pessoa foi avaliada com testes de polissonografia durante a noite, para medição do volume de líquido na perna e da circunferência do pescoço no início e no final do uso das meias de compressão e nos períodos de controlo (sem meias). No final do período de uso de meias de compressão, os indivíduos tinham uma redução na ordem de 62% no volume de líquido na perna, em comparação com o período em que não usaram as meias. Os pacientes também apresentaram uma redução de 60% no aumento da circunferência do pescoço e uma redução de 36% no número de apneias e hipopnéias por hora de sono.

 

Em pessoas activas, a acumulação de líquido nas pernas é contrabalançado por contracções musculares que “espremem” as veias. No entanto, ficar períodos prolongados sentado pode evitar este processo e o líquido acumulado nas pernas pode migrar para outras partes do corpo durante a noite. Esta mudança resulta numa acumulação de líquido no tecido pescoço, o que pode elevar o número de eventos de apneia, já que aumenta o volume do tecido, levando ao colapso repetitivo da faringe durante a respiração noite. Em indivíduos que têm insuficiência cardíaca ou hipertensão, a quantidade de fluido no corpo durante a noite é fortemente correlacionada com o grau de aumento na circunferência do pescoço e do número de apneias e hipopneias por hora de sono.

 

"Trabalhamos com a hipótese de que a acumulação de líquido que ocorre nas pernas de pessoas com insuficiência venosa crónica seria reduzida através do uso de meias de compressão, e que a redução no fluido também reduz a sua acumulação no pescoço durante a noite", disse Dra. Redolfi, adiantando existirem “fortes evidências que relacionam essa mudança nocturna do fluido à apneia. Se reduzirmos esse processo, podemos esperar que os eventos de apneia sejam igualmente reduzidos”.

 

O tratamento da apneia depende dos sintomas e da sua gravidade, existindo alternativas não-cirúrgicas (do tipo máscara que fornece oxigénio durante a noite) e cirúrgicas (remoção de obstáculos e correcção de distúrbios anatómicos que dificultem a passagem de ar).

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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