Medo de morrer durante um enfarte do miocárdio pode ser pior

Estudo publicado no “European Heart Journal"

08 junho 2011
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As pessoas que sentem muito medo de morrer durante um enfarte do miocárdio e nos dias seguintes, parecem também apresentar uma maior inflamação, um indicador que poderá anunciar mais problemas de saúde do que os pacientes que não sentem tanto medo, aponta um estudo publicado no “European Heart Journal", que segundo os especialistas, “sugere a importância da ligação entre mente e corpo”.

 

Para o estudo, os investigadores avaliaram 208 pacientes que tinham recorrido ao Hospital St. George, em Londres, com síndrome coronário agudo (obstrução das artérias coronárias), durante um período de 18 meses.

 

Enquanto estiveram hospitalizados, todos os pacientes foram questionados sobre o seu medo da morte. Ao mesmo tempo, os cientistas também mediram os níveis sanguíneos do factor de necrose tumoral (TNF), que desencadeia a inflamação. Três semanas depois, já com os pacientes a recuperar em casa, os investigadores visitaram-nos e mediram a variabilidade da frequência cardíaca e os níveis de cortisol - hormona de stress - na saliva.

 

Um em cada cinco pacientes relataram sentir ansiedade extrema e medo da morte, enquanto dois terços disseram ter reacções emocionais mais moderadas. O estudo verificou que as pessoas mais jovens, pobres e solteiras (o que, possivelmente, indica um maior isolamento social) eram mais propensas a ter reacções intensas.

 

O medo da morte foi associado a um aumento de quatro vezes nos níveis de TNF no momento do internamento hospitalar. Três semanas depois, verificou-se que os níveis de TNF foram associados a uma menor variabilidade da frequência cardíaca e a níveis mais baixos de cortisol.

 

Os níveis mais baixos da variabilidade da frequência cardíaca têm sido associados a maiores taxas de mortalidade após um enfarte do miocárdio, enquanto os níveis mais baixos de cortisol podem indicar que o organismo não é capaz de reverter a inflamação causada pelo enfarte. Os investigadores ficaram surpreendidos pelo facto de a existência de um enfarte do miocárdio prévio não ter qualquer efeito no nível de medo dos pacientes.

 

O estudo apresenta, no entanto, algumas limitações, incluindo o facto de cerca de 23% dos pacientes terem sido acompanhados apenas durante as primeiras três semanas depois do enfarte do miocárdio; terem sido observadas poucas mulheres e a maioria dos pacientes ter sofrido um enfarte do miocárdio com  supradesnivelamento (ou elevação) do segmento ST (STEMI), o tipo mais grave de enfarte do miocárdio, o que realmente significa que os resultados não podem ser extrapolados para os enfartes cardíacos não- STEMI. A investigação também não esclarece se é a ansiedade extrema que causa os efeitos biológicos ou vice-versa.

 

Contudo, num comunicado enviado à imprensa, a especialista em cardiologia preventiva do Lenox Hill Hospital, EUA, Suzanne Steinbaum, refere que este “estudo mostra que quando os pacientes têm muito medo a inflamação aumenta e diminui a variabilidade dos batimentos cardíacos, que podem levar a maus resultados. Por isso, devem ser abordados não só os problemas físicos mas também mentais".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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