Medo da mãe passa para filho através do odor

Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”

27 agosto 2014
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Os medos das mães são transferidos para os filhos através de odores que libertam quando experimentam essa sensação, descobriu uma equipa de investigadores.


A equipa da Univesity of Michigan Medical School e da New York University, ambas nos EUA, baseou-se no estudo de mães ratos e crias para tentar perceber como é que o medo ou uma experiência traumática são transmitidos da mãe para o filho mesmo quando o evento ocorre durante o período de gestação.


A descoberta da equipa ajudou os investigadores a identificarem a área do cérebro específica onde a transmissão do medo se aloja durante os primeiros dias de vida, o que pode levar a uma melhor compreensão do facto de nem todos os filhos com mães que tenham passado por experiências traumáticas experienciarem os mesmos efeitos.


A equipa concentrou-se numa estrutura cerebral denominada amígdala cerebral, através da utilização de imagiologia do cérebro, de estudos de atividade genética em células cerebrais isoladas e do estudo do cortisol no sangue.


Para o estudo, os investigadores ensinaram ratos fêmea não prenhas a terem medo do odor da hortelã-pimenta, dando-lhes choques elétricos suaves sempre que sentiam o aroma.


Após terem dado à luz, os investigadores apresentaram o odor da hortelã-pimenta aos animais mas sem os choques elétricos para lhes provocarem medo. Havia um grupo de controlo que não tinha medo do cheiro da hortelã-pimenta. A equipa expôs o odor a crias de ambos os grupos, tanto com as mães por perto como afastadas.


Os ratinhos bebé aprenderam o medo das mães através dos odores que estas emitiam ao serem expostas ao medo. O mesmo medo foi provocado nos bebés ao ser-lhes apresentado o cheiro da mãe ausente ao reagir ao odor da hortelã-pimenta.


No entanto, quando os investigadores apresentaram aos bebés ratos uma substância que bloqueava a atividade da amígdala, estes já não foram capazes de aprender o medo à hortelã-pimenta a partir das mães.


“O nosso estudo demonstra que as crianças pequenas podem aprender a partir da expressão materna do medo, num estado muito inicial da sua vida. Antes de poderem mesmo passar pelas suas próprias experiências, adquirem basicamente as experiências das mães. O mais importante é que essas memórias transmitidas pela mãe são de longa duração, ao passo que outros tipos de aprendizagem na primeira infância, se não forem repetidas, desaparecem rapidamente”, comenta Jacek Debiec, neurocientista e psiquiatra na University of Michigan.


Nos humanos, tem sido observado que o trauma emocional passa de geração em geração, como é o caso dos descendentes dos sobreviventes do holocausto. O facto de o medo patológico poder ser socialmente transmitido às crianças passa a ser alvo de preocupação clínica.


Embora não se saiba ainda se esta descoberta se aplica a humanos, é já sabido que o odor da mãe pode acalmar um bebé.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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