Medo contagia-se

Expressão corporal pode transmitir pânico

19 novembro 2004
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O medo propaga-se por contágio numa multidão através da simples visão da postura física de quem o sente, e pode alastrar-se como um incêndio numa floresta, indica um estudo divulgado nos Estados Unidos.«Somos extremamente sensíveis à expressão corporal das emoções e reagimos mesmo sem termos consciência disso», afirmou Beatrice Gelder, da Faculdade de Medicina de Harvard. «E isso é muito bom, porque nos coloca em alerta para agir». Assim se explica que quando surge uma briga no meio de uma multidão, mesmo quem está mais afastado - sem ver o que se passa - fica imediatamente em estado de alerta. A maioria dos estudos anteriores das respostas humanas a situações emocionais centrou-se nas expressões faciais. O que esta investigadora diz agora é que a comunicação entre as pessoas se faz também através das reacções do corpo. Os resultados do estudo foram publicados esta semana nos Anais da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos.Gelder e colegas de equipa fotografaram actores em diversas poses, mostrando posturas de felicidade, neutras e de medo. Taparam depois as caras dos modelos e mostraram as fotografias a quatro homens e três mulheres cujos cérebros estavam a ser monitorizados através de imagiologia por ressonância magnética. Os que viam fotografias com posturas de felicidade ou neutras reagiam apenas na parte do cérebro que processa as imagens visuais, enquanto que os cérebros dos outros reagiam às expressões de medo com actividade nas áreas de acção visual, emocional e motora.Os resultados mostram que as emoções não se comunicam verbalmente. «São realmente comunicadas sem que esteja envolvido qualquer processo consciente, corpo a corpo», afirmou Beatrice Gelder. Segundo Stephen Maren, professor de psicologia na Universidade de Michigan, já se sabia que vários estímulos podem evocar respostas cerebrais em áreas emocionais. «Por isso não é surpreendente que se possa demonstrar que as posturas de medo» provoquem uma resposta, afirmou, «só que isso nunca tinha sido demonstrado».Fonte: Lusa

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