Meditação profunda altera funcionamento cerebral

Investigadores estudam cérebros de praticantes budistas

17 novembro 2004
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Quem pratica meditação durante longos períodos induz mudanças no funcionamento do cérebro que melhoram o conhecimento e as emoções, indica um estudo da Universidade de Wisconsin.Os resultados da investigação - feita por uma equipa do Laboratório W.M. Keck de Estudos Cerebrais do Centro Weizman, da Universidade de Wisconsin, em colaboração com o Mosteiro de Schechen, de Katmandu (Nepal) - vêm publicados na revista «Proceedings» da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.«Constatámos que os praticantes da meditação budista durante longos períodos auto-induzem alterações neurais, isto é, na função cerebral, cujo impacto duradouro aumenta a cognição e as emoções», afirmou Antoine Luz, que coordenou o estudo.O termo meditação abrange numerosas tradições culturais e vários métodos de concentração mental, controlo da respiração, visualizações ou, pelo contrário, não focalização da mente em objectos ou ideias.Para este trabalho, os investigadores acompanharam oito praticantes de meditação budista com 49 anos de média de idades e compararam-no com um grupo de controlo de 10 estudantes voluntários com uma média de 21 anos de idade. Os budistas receberam instrução mental nas tradições tibetanas Nyingmapa e Kagyupa de 10 a 50 mil horas ao longo de períodos de 15 a 40 anos.Por seu lado, os indivíduos do grupo de controlo não tinham experiência prévia em meditação e receberam instrução durante apenas uma semana, antes da recolha de dados mediante electro- encefalogramas. Os investigadores fizeram electro-encefalogramas dos participantes budistas e dos elementos do grupo de controlo antes, durante e depois da meditação, e compararam os resultados dos dois grupos. E concluíram que os praticantes budistas auto-induzem, de forma sustentada, oscilações de alta amplitude na banda gama e sincronia de fase.«As maiores diferenças entre os dois grupo aumentam de forma aguda durante a meditação e mantêm-se depois da meditação», acrescentou. Um dos pormenores observados pelos investigadores foi a chamada «sincronia gama a longa distância».Julga-se que esta esteja ligada a uma coordenação neural em grande escala e ocorra quando duas áreas neurais, controladas por dois eléctrodos distantes, oscila com uma relação de fase precisa que se mantém constante durante um certo número de ciclos de oscilação.Fonte: Lusa

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