Meditação ajuda no controlo dos pensamentos em doenças mentais

Estudo publicado na revista PNAS

25 novembro 2011
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Pessoas com experiência em meditação parecem ser capazes de modificar áreas do cérebro associadas ao “sonhar acordado”, assim como distúrbios psiquiátricos (esquizofrenia e autismo), segundo um novo estudo de imagens cerebrais feito por investigadores da Universidade Yale, nos EUA. O trabalho foi publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

 

A capacidade da meditação para ajudar as pessoas a manter o foco no presente tem sido associada a maiores níveis de felicidade, destacou o principal autor do estudo e professor assistente de psiquiatria da Universidade Yale, Judson A. Brewer. "A meditação tem demonstrado ser capaz de ajudar em vários problemas de saúde, ao contribuir para que as pessoas parem de fumar, lidem melhor com o cancro e até mesmo na prevenção da psoríase", descreveu o cientista.

 

A equipa de Yale realizou exames de ressonância magnética funcional em pessoas experientes e iniciados, enquanto praticavam três diferentes técnicas de meditação.

 

Os investigadores verificaram que os meditadores experientes mostraram uma redução da actividade nas áreas cerebrais da chamada “default mode network”, que tem sido associada a lapsos de atenção e a distúrbios como ansiedade, deficit de atenção e hiperactividade, e até na acumulação de placas beta-amiloide responsáveis pela doença de Alzheimer.

 

A diminuição da actividade nessa zona cerebral, que engloba a parte medial do córtex cingulado pré-frontal e posterior, foi observada nos participantes mais experientes, independentemente do tipo de meditação que faziam.

 

A análise também mostrou que, quando a rede neuronal era activada, as regiões cerebrais associadas ao autocontrolo e ao controlo cognitivo foram activadas nos meditadores experientes, mas não nos iniciados. Isso pode indicar que os meditadores experientes estão em constante vigilância, anulando o aparecimento de divagações e pensamentos do eu. Nas suas formas patológicas, esses estados são associados a doenças como autismo e esquizofrenia.

 

"A capacidade da meditação em ajudar as pessoas a permanecer no presente tem sido parte de práticas filosóficas e contemplativas há milhares de anos", explicou Brewer em comunicado, acrescentando que "por outro lado, as marcas de muitas doenças mentais são uma preocupação com os próprios pensamentos, condição que a meditação parece atingir. Isso dá algumas pistas de como os mecanismos neuronais podem actuar clinicamente”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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