Meditação abranda declínio cognitivo?

Estudo publicado na revista “Frontiers in Psychology”

10 fevereiro 2015
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A meditação pode abrandar a perda de matéria cinzenta associada ao envelhecimento, sugere um estudo publicado na revista “Frontiers in Psychology”.
 

Desde 1970 que a esperança média de vida no mundo aumentou dramaticamente. No entanto, a partir dos 25 anos o volume e o peso do cérebro começam a diminuir. À medida que isto ocorre o cérebro pode começar a perder as suas capacidades funcionais. Contudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, descobriram que a meditação pode ajudar a preservar a matéria cinzenta do cérebro.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Florian Kurth, analisaram especificamente a associação entre a idade e a substância cinzenta em dois grupos distintos de indivíduos, uns que meditavam há alguns anos e outros que não. Cada grupo era constituído por 28 homens e 22 mulheres com idades compreendidas entre os 24 e os 77 anos. O cérebro dos participantes foi submetido a ressonâncias magnéticas de elevada resolução.
 

O estudo apurou que os dois grupos de participantes apresentaram uma perda de substância cinzenta à medida que envelheciam. No entanto, verificou-se que, nos indivíduos que meditavam, o volume da substância cinzenta não sofreu um declínio tão grande quando comparado com os que não meditavam.
 

“Esperávamos encontrar efeitos pequenos e distintos em algumas zonas do cérebro previamente associadas à meditação. Em vez disso, observámos uma disseminação do efeito da meditação em todo o cérebro”, revelou, em comunicado de imprensa, Florian Kurth
 

Com o envelhecimento dos baby boomers e o crescimento da população idosa, a incidência do declínio cognitivo e a demência têm aumentado substancialmente.
 

De acordo com Eileen Luders, primeira autora do estudo, é importante que uma esperança mais longa de vida não seja acompanhada de uma qualidade de vida reduzida. “Apesar de muita da investigação se ter focado na identificação de fatores que aumentam o risco de doença mental e declínio neurodegenerativo, tem sido dada pouca atenção às abordagens que aumentam a saúde cerebral”, referiu a investigadora.
 

Na opinião dos investigadores, estes achados irão estimular outros estudos a explorarem o potencial da meditação no aumento da preservação do cérebro e mente. A acumulação de evidências científicas que indicam que a medicação é capaz de alterar o cérebro pode permitir, em última análise, uma tradução efetiva da investigação para a prática, não apenas no envelhecimento saudável como também no envelhecimento patológico.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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