Medidas de austeridade podem aumentar riscos para a saúde das populações

Investigador da Universidade de Cambridge

26 julho 2011
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Cortes orçamentais ligados às medidas de austeridade podem “exacerbar os riscos para a saúde das pessoas”, em particular nos estratos mais sensíveis da sociedade, afirmou David Stuckler, investigador da Universidade de Cambridge em políticas económicas e saúde.

 

“Independentemente de se acreditar, ou não, que os cortes vão promover o crescimento económico, em termos de saúde os resultados são claros: estes cortes orçamentais podem exacerbar os riscos de recessão para a saúde das pessoas”, disse o investigador que liderou um grupo que publicou no começo do mês um breve texto na revista de saúde The Lancet sobre “Os efeitos da recessão de 2008 na saúde: Um primeiro olhar sobre os dados europeus”.

 

A investigação centrou-se nas causas de morte em geral, procurando analisar quais tinham mudado, chegando à conclusão de que os suicídios aumentaram e as mortes na estrada caíram, usando dados disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde só para 10 países europeus - recolhidos entre 2000 e 2009 -, mas que indicam que a Grécia e a Irlanda viram os seus números de suicídios dispararem em 17 e 13 por cento, respectivamente.

 

A Espanha também parece ter números superiores ao normal, mas os dados comparativos para a quarta maior economia da zona euro só chegam a 2008, explicou David Stuckler.

 

“Outra coisa que há que lembrar é que os suicídios são apenas a ponta do icebergue. De uma maneira geral, é estimado que para cada caso haja 10 tentativas e, por sua vez, entre 100 a 1 000 novos casos de depressões”, revelou o investigador, com a ressalva de que os dados variam consoante o país.

 

Num artigo publicado em 2009 sobre o mesmo tema, o grupo de investigadores do Reino Unido e dos EUA, concluiu que “grandes e rápidos aumentos no desemprego estão associados a aumentos de curto-prazo nos suicídios de homens e mulheres em idade activa”, algo que pode ser “mitigado” através de programas de incentivo à criação de emprego.

 

“Estes cortes dão-se numa altura em que as pessoas olham para os seus governos à procura de ajuda. Muitos serviços de protecção estão a ser cortados, reduzidos e, nalguns casos, completamente retirados”, afirmou David Stuckler, acrescentando que a saúde mental é um “alvo fácil” na altura de cortar.

 

O investigador referiu, também, que o objectivo é “recordar aos legisladores de que há riscos, mas medidas podem ser tomadas para os prevenir”, em particular através de programas de incentivo à criação de emprego, que, segundo Stuckler, têm um melhor resultado em termos psicológicos do que a atribuição de subsídios.

 

“A análise sugere que os governos podem ser capazes de proteger as suas populações, especificamente, ao criar medidas que mantenham as pessoas empregadas, ajudando quem perde os seus empregos a lidar com os efeitos negativos do desemprego e permitindo um retorno rápido ao mercado de trabalho”, terminava o artigo de 2009.

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