Médicos subestimam a sua doença

Especialistas não aceitam estar doentes, revela um estudo irlandês

30 setembro 2001
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«Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.» Esta é, com certeza, uma das máximas mundiais que melhor descrevem os resultados deste estudo. William T. Thompsom, médico e professor na Universidade de Belfast, Irlanda, tentou demonstrar que o ditado «santos da casa não fazem milagres» assenta que nem uma luva à comunidade médica.
 

 

Deste modo, Thompson e a sua equipa entrevistaram 27 médicos sobre a atenção que dão quando se sentem doentes. A equipa chegou à conclusão que os médicos sentem-se pressionados a não ficar doentes ou, pelo menos, a não aparentar ou agir como alguém nessa condição. «Ninguém quer ir a um médico que está doente», disse um dos entrevistados, dando a entender que o facto de se estar doente pode tornar a sua competência questionável aos olhos dos pacientes.
 

 

Tudo porque, segundo as respostas analisadas, os especialistas tentam dar uma imagem saudável para não desiludir os doentes ou até mesmo os seus pares.
 

 

Os profissionais ainda afirmaram que se sentem pressionados a continuar a trabalhar sem levar em consideração o grau da doença. «A menos que não me consiga levantar da cama, vou a rastejar até ao trabalhar», afirmou um dos médicos entrevistados.
 

 

Uma das razões apontadas pelos especialistas reside no facto dos médicos não suportarem a ideia de «sobrecarregar os colegas quando se falta ao trabalho».
 

 

Doente, eu?
 

 

Repouse o máximo. Este é um dos conselhos mais ouvidos pelos pacientes quando a saúde não é das melhores. Mas, quando o doente é o médico este aviso parece não ser o indicado.
 

 

Os participantes do estudo também disseram que os médicos, além de se recusarem a aceitar a doença, não seguem os mesmos conselhos que dão aos pacientes. Um dos médicos entrevistados adiantou: « Os especialistas medem mais frequentemente a taxa de colesterol dos pacientes que a deles».
 

 

Thompson lança então o aviso a todos os médicos para que não descurem a sua própria saúde, pois são tão mortais quanto os outros.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Fonte: Reuters
 

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