Médicos regeneram coração com células mãe do paciente

Tratamento pode reduzir necessidade de transplantes

07 março 2003
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Médicos norte-americanos do Estado do Michigan estão a tentar regenerar o coração debilitado de um jovem de 16 anos, injectando-lhe células mãe recolhidas do sangue do paciente.
 

 

Trata-se de um desenvolvimento clínico em observação que se produzir os resultados esperados pode reduzir a necessidade de transplantes.
 

 

O cardiologista que implantou as células mãe no coração do paciente afirma que as consequências da experiência "serão tremendas".
 

 

Dimitri Bonnville, 16 anos, sofreu um enfarte em Fevereiro depois de um companheiro lhe ter disparado uma pistola de rebites em cima do peito.
 

 

Os cirurgiões implantaram no coração do paciente células mãe - que apresentam a capacidade de se diferenciarem em qualquer tipo de célula, incluindo as do tecido cardíaco - recolhidas do sangue do adolescente para reparar os danos.
 

 

Os médicos afirmam que o coração de Bonnville aumentou a capacidade de bombear o sangue de 25 por cento para 35 por cento, tendo-lhe permitido obter alta hospitalar em 28 de Fevereiro.
 

 

O cardiologista que implantou as células mãe, Steven Timmis, alertou, no entanto, que só se terá a certeza de que as células injectadas se transformaram em cardíacas dentro de três meses.
 

 

Cirurgiões comentaram que esta experiência poderia eliminar a necessidade de realizar muitos transplantes de coração, um desenvolvimento muito importante dada a escassez de órgãos.
 

 

Além do mais, os corações transplantados "não duram para sempre, apenas 10 a 15 anos", e o novo procedimento ajudaria pessoas que não podem receber transplantes, como idosos, devido à debilidade dos respectivos sistemas imunitários.
 

 

A odisseia de Bonnville começou em 01 de Fevereiro quando Paul Lange, 20 anos, lhe perguntou se queria saber o que se sente quando se é baleado. Ao mesmo tempo encostou-lhe a pistola de rebites ao peito e premiu o gatilho.
 

 

A vítima sobreviveu ao disparo porque o rebite permaneceu cravado no seu coração, impedindo que sangrasse até à morte, comentou Timmis.
 

 

Os médicos removeram o rebite e coseram o coração do jovem, mas pouco depois uma inflamação obstruiu uma artéria e causou um enfarte no qual morreu tecido cardíaco.
 

 

Ao contrário das células da pele e dos ossos, as do coração não são capazes de regenerar-se.
 

 

As opções de Bonnville eram o transplante ou a experiência tentada.
 

 

Os médicos administraram a Bonnville um medicamento para estimular a produção de células mãe no sangue, extraindo-as posteriormente para injectá-las na artéria através de um catéter.
 

 

O estudo das propriedades terapêuticas das células mãe é uma das áreas em que se concentra actualmente a investigação médica.
 

 

Em Abril de 2002 uma equipa de cientistas australianos injectou células mãe no coração de um homem de 74 anos, mas extraiu-as da medula óssea do paciente.
 

 

Segundo Timmis, a técnica arquitectada no hospital do Michigan é "mais limpa, segura, e menos dolorosa para o paciente".
 

 

O médico explicou que o material extraído da medula óssea tem de ser limpo e seleccionado, ao contrário das células mãe recolhidas do sangue, e o procedimento mais incómodo para o paciente.
 

 

Fonte: Lusa

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