Médicos espanhóis já dispõem de guidelines para uso de antibióticos

Em Portugal a situação é ligeiramente diferente. Saiba porquê

06 agosto 2003
  |  Partilhar:

 

Os profissionais de saúde espanhóis dispõem há já alguns meses de guidelines actualizadas para o uso correcto de antibióticos em patologias como a amigdalofaringite e a exacerbação aguda da bronquite crónica (EABC). Na origem destas guidelines estão diversas Sociedades Médicas do país vizinho, entre as quais a Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia e Patologia Cérvico-Facial, a Sociedade de Infecciologia Pediátrica e a Sociedade Espanhola de Medicina Geral, que elaboraram estes documentos com o objectivo de dotar os médicos de linhas orientadoras para combater com eficácia algumas das doenças infecciosas mais frequentes e evitar a necessidade de repetir o tratamento, sob risco de fomentar o aparecimento de resistências.
 

 

Em Portugal, a situação é ligeiramente diferente, já que apenas os membros da Sociedade Portuguesa de Pneumologia dispõem de especificações para o uso de antibióticos. Todos os restantes profissionais prescrevem os antibióticos com base na sua experiência na prática clínica, sendo necessário colmatar esta falha ao nível da orientação médica, com o objectivo de optimizar o uso destes tratamentos e minimizar o aparecimento de resistências na população portuguesa.
 

 

A amigdalofaringite
 

A amigdalofaringite é um processo inflamatório difuso dos folículos linfóides das amígdalas e faringe, com envolvimento da mucosa e das estruturas subjacentes. Na maioria dos casos, as infecções desta zona anatómica têm origem vírica, embora nalgumas situações se possa verificar infecção secundária a agentes bacterianos (necessitando por isso de tratamento antimicrobiano). Esta patologia é mais frequente nos indivíduos de ambos os sexos entre os 3 e os 15 anos, sobretudo nos meses mais frios. Nos países da União Europeia, a faringite é responsável por mais de 40 milhões de consultas por ano.
 

 

A transmissão da doença faz-se através de minúsculas partículas de saliva, ou através do contacto directo com o portador. Os antecedentes familiares, a vacinação e a contaminação ambiental, incluindo o tabaco, são alguns dos factores de risco que podem ser apontados.
 

 

Apesar da incidência ser superior nos jovens, os adultos também são afectados, representando a doença uma causa frequente de absentismo laboral. De acordo com os dados de Espanha, os médicos suspeitam de infecção bacteriana em cerca de 60% dos doentes, mas prescrevem antibióticos em 85% dos casos.
 

 

EABC (Exacerbação aguda da bronquite crónica)
 

Esta doença caracteriza-se por um transtorno respiratório obstrutivo crónico e pouco reversível. O tabagismo é a causa mais frequente para o aparecimento desta doença, embora nem todos os fumadores apresentem as alterações anatomo-patológicas específicas. A bronquite crónica define-se pela presença de tosse acompanhada de expectoração ao longo de pelo menos três meses, durante dois anos consecutivos. A EABC corresponde, no fundo, a um agravamento das queixas de base de um doente com bronquite crónica, isto é, a um aumento da frequência e/ou gravidade da tosse, da falta de ar (dispneia), alterações das características da expectoração, entre outras, sendo muito frequentemente secundária a uma infecção bacteriana.
 

 

Segundo estudos realizados em Espanha, a prevalência desta patologia é na ordem dos 9% na faixa etária entre os 40 e os 70 anos, sendo a mortalidade associada à doença de 5,9% nos homens e de 2,6% nas mulheres.
 

 

No país vizinho, mais de 90% de casos de EABC são tratados com antibióticos. Em 1996, a penicilina foi prescrita em 25 a 35% dos casos, as cefalosporinas em 30%, os macrólidos em 25 a 35% e as quinolonas em 10 a 20%.
 

 

Guidelines espanholas
 

Relativamente às guidelines espanholas, as indicações terapêuticas são recomendadas em função da gravidade da doença, da história clínica do doente e da frequência do uso de antibióticos em tratamentos prévios. Assim, na faringite aguda, o tratamento de primeira linha é a penicilina, salvo nas situações de alergia ou fracasso do tratamento, bem como a amoxicilina, a amoxicilina-ác. clavulânico e as cefalosporinas orais. Uma alternativa válida a estas opções será a telitromicina, que pertence a uma nova classe de macrólidos semisintéticos, os ketólidos, e que foi recebida com grande expectativa pelos profissionais de saúde dado o seu perfil de segurança e a sua capacidade de minimizar o desenvolvimento de resistências.
 

 

Já na faringite recorrente, a telitromicina é recomendada como tratamento de primeira linha, bem como nas manifestações da doença em que os ß-lactâmicos não sejam recomendados. No primeiro caso, a amoxicilina-ác. clavulânico é outra opção, sendo considerados em segunda linha a miocamicina, a azitromicina e a claritomicina.
 

 

Quanto à EABC, a telitromicina surge como tratamento de primeira linha nas manifestações ligeiras, ou quando o doente tem menos de 65 anos e sem co-morbilidades, a par da amoxicilina-ác. clavulânico, da levofloxacina, da moxifloxacina e da azitromicina. Nas manifestações moderadas ou graves, e com risco de infecção, são recomendadas respectivamente a levofloxacina, a moxiflocacina, a telitromicina e a amoxicilina-ác. clavulânico, e a ciprofloxacina ou levofloxacina.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.