Médicos de família importantes no diagnóstico precoce das doenças autoimunes

Considerações de Elisa Serradeiro

13 abril 2018
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A especialista em medicina interna Elisa Serradeiro defende uma maior sensibilização junto dos médicos de família com vista ao diagnóstico precoce das doenças autoimunes, divulgou a agência Lusa.
 
Em Portugal não há dados concretos sobre a prevalência destas doenças, mas estima-se que “sejam elevados”, afetando três vezes mais mulheres do que homens em Portugal. São, inclusive, uma das principais causas de morte em mulheres com menos de 65 anos.
 
“São doenças que surgem em idades jovens, doenças que podem ser muito agressivas e afetar órgãos nobres, com elevada morbilidade e aumento da mortalidade. Estima-se, por exemplo, que a artrite reumatoide diminua em 10 anos a sobrevida média”, afirmou Elisa Serradeiro, médica internista e presidente da reunião.
 
A especialista disse à agência Lusa que é um “desafio diagnosticar” as doenças autoimunes e salientou que o “ideal é diagnosticar o mais precocemente possível”, e exemplificou com Vila Real, onde regularmente decorrem formações nos centros de saúde.
 
“É necessário fazer mais intervenções junto dos médicos de família, nos centros de saúde, promover sessões de formação, de forma a alertar para sintomas e sinais sugestivos de doença autoimune, como aliás temos feito, com eficácia, na nossa área de influência”, salientou.
 
Entre as diversas doenças autoimunes sistémicas estão as miopatias inflamatórias, vasculites, esclerose sistémica, síndrome de Sjögren e a artrite reumatóide.
 
Esta sensibilização, para a especialista, “ajuda a que os sintomas, muitas vezes vagos, das mulheres mais jovens, sejam levados a sério”.
 
“Sendo doenças multissistémicas, podem ter sintomas de diferentes órgãos/sistemas. Podem confundir e simular outras doenças, podem ser inespecíficos e passar despercebidos, daí a importância da medicina interna para juntar tudo, juntar o puzzle e chegar ao diagnóstico final”, referiu.
 
E continuou: “Embora a abordagem multidisciplinar seja muito importante, é fundamental o papel do médico internista na gestão do doente”.
 
Ao nível dos tratamentos, a médica disse que “são cada vez mais as respostas disponíveis”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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