Médico realiza autópsia com assistência ao vivo

Televisão mostrou o acontecimento

21 novembro 2002
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Um médico alemão que se tornou famoso por fazer arte com o corpo de pessoas mortas protagonizou ontem um teatro anatómico em Londres.
 

 

Assistir a uma autópsia é ver um espectáculo do corpo humano? E será esse espectáculo uma maravilha que possa e deva ser apreciada pelo maior número de pessoas ao vivo e até transmitido pela televisão? A pergunta é certamente polémica e as respostas não devem ser simples. Mas ontem à noite, no Reino Unido, um médico alemão que se tornou célebre por apresentar esculturas feitas com corpos humanos plastificados fez uma autópsia ao vivo para 300 pessoas, numa galeria de Londres. Mais tarde, perto da meia-noite, o canal Channel 4 pretendia apresentar o acontecimento na televisão.
 

 

Gunther von Hagens, que costuma apresentar-se com um largo chapéu, faz esculturas utilizando o corpo de pessoas mortas, que ele literalmente descasca, mostrando as várias camadas sobrepostas que compõem qualquer ser humano: músculos, órgãos, ossos. É como ver um livro de anatomia ao vivo, com corpos reais, que são plastificados com uma resina que os transforma em estátuas, manequins congelados no tempo em posições por vezes cómicas e mais despidos do que alguma vez estiveram em vida. Uma das suas obras mais polémicas é a que descasca uma mulher grávida, permitindo ver o feto na sua barriga.
 

 

A exposição "Body Worlds", de Hagen, chegou a Londres em Março e causou um sururu imediato. Nos jornais e na televisão sucediam-se protestos escandalizados e alguns defensores. Um homem tentou destruir uma das peças da mostra, nos primeiros dias da exposição. O sucesso tem sido enorme, no entanto: segundo o "site" da exposição ( http://www.bodyworlds.com ), já por lá passaram 550 mil visitantes e o calendário de exibição vai ser prolongado até 9 de Fevereiro de 2003.
 

 

Apesar do sucesso e da polémica, Gunther von Hagens não desarma, mesmo que as autoridades britânicas o tenham avisado de que iria desrespeitar a lei, se persistisse na intenção de fazer uma autópsia pública: ia fazê-lo num sítio sem licença para tal (uma galeria de arte) e, além disso, não tinha autorização para fazer autópsias no Reino Unido.
 

 

O inspector de anatomia anunciou ter pedido à polícia que tomasse "acções apropriadas". Mas a polícia fez saber que não estaria à porta para impedir a entrada dos visitantes, que pagaram 12 libras (18,85 euros) pelo bilhete e esgotaram a capacidade do recinto, para ver o médico alemão cortar um homem que doou o corpo à ciência e mostrar como é um ser humano por dentro.
 

 

Leia tudo no: Público
 

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