Médico italiano anuncia clonagem humana

Duzentos casais foram seleccionados para participar num projecto de clonagem humana liderado por um embriologista italiano

05 agosto 2001
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Um geneticista italiano vai fazer a primeira tentativa mundial de clonagem humana com 200 mulheres voluntárias de vários países, anunciou ontem o jornal britânico “Sunday Times”.
 

 

Depois de ter anunciado a clonagem de dez ratinhos, Severino Antinori decidiu agora iniciar o mesmo método para produzir clones humanos.
 

 

O professor italiano Severino Antinori, cuja clínica em Roma permitiu a uma mulher de 62 anos ter um filho, em 1994, vai anunciar quinta-feira, na Academia Nacional das Ciências de Washington, o lançamento em Novembro do seu programa de clonagem, segundo avançou o jornal britânico.
 

 

O projecto seleccionou 200 casais vindos de todo o mundo e o tratamento será completamente gratuito, informou o médico.
 

 

A maioria desse casais não pode ter filhos devido a problemas de esterilidade do marido.
 

 

Preocupação, ética e legalidade
 

 

Mas o projecto está a provocar grande preocupação junto da comunidade médica e grupos de ética da Grã-Bretanha. Alguns temem que a tecnologia seja muito arriscada ou que o projecto abra caminho para a legalização da clonagem humana na Grã-Bretanha.
 

 

A criança que resultar desse processo terá as mesmas características genéticas do pai. Com esse processo, pais e mães estéreis não precisariam depender de doadores de esperma.
 

 

O médico Antinori já recebeu avisos de cientistas japoneses e norte-americanos que o alertaram para o facto de poder “criar monstros”. Mas o médico apelida estes receios de exagerados.
 

 

O desrespeito da lei é, no entanto, um dos problemas que Antinori terá que enfrentar. Se a clonagem humana com fins terapêuticos e de investigação é proibida em muitos países, existem muitos locais no mundo onde nem sequer esta questão está regulamentada no plano jurídico.
 

 

No início deste ano, a Câmara dos Lordes do Parlamento britânico aprovou a legalização da clonagem de embriões humanos, mas apenas para fins terapêuticos e de investigação.
 

 

Jack Scarisbrick, director nacional da entidade Life (Vida), disse à BBC temer que a pressão da opinião pública possa levar à liberação da clonagem humana para fins reprodutivos na Grã-Bretanha.
 

 

Ian Wilmut, do Instituto Roslin, demonstrou à BBC a sua preocupação sobre a possibilidade da clonagem humana.
 

 

Porque, segundo o especialista, através da clonagem humana “o mais provável seria produzir um aborto, o nascimento de crianças mortas ou, talvez pior, o nascimento de crianças anormais."
 

 

A técnica que o cientista italiano usará é semelhante à utilizada pela equipa que produziu o primeiro animal clonado do mundo, a ovelha Dolly. Uma técnica que tem por base a injecção de células do pai estéril num óvulo, que então é implantado no útero da mãe.
 

 

Adaptado por: Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fontes: Sunday Times e BBC
 

 

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