Médico francês assume morte assistida

Jovem tetraplégico, mudo e cego desde 2000

01 outubro 2003
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O médico Frederic Chaussoy, chefe do serviço de reanimação do hospital onde se encontrava, há três anos, o jovem tetraplégico francês Vincent Humbert, assumiu, anteontem, a responsabilidade da sua morte e declarou ter sido ele quem desligou a respiração assistida.
 

«Se perguntarmos: quem matou Vincent Humbert?, respondo: fui eu, não foi a senhora Humbert», declarou o médico do Hospital de Berck-sur-Mer (Pas-de-Calais) ao canal de televisão francês «Europe 1».
 

 

Frederic Chaussoy explicou que, na sexta-feira passada, desligou o ventilador a Vincent Humbert, de 22 anos, que estava em coma profundo desde a quarta-feira anterior, quando a mãe do jovem, Marie Humbert, fez uma tentativa de eutanásia (morte assistida),ao injectar barbitúricos na sonda que alimentava o filho, mudo e quase cego desde o acidente de viação que sofrera em Setembro de 2000.
 

 

O médico acrescentou que a decisão «colectiva e difícil» de desligar o equipamento de respiração artificial (tomada, colegialmente, pela equipa médica) foi assumida com «total independência» pelos médicos do serviço de reanimação que acompanhavam Vincent Humbert, desde há três anos.
 

«Podíamos ter dito que houve uma complicação ou uma paragem cardíaca. Sabemos bem mentir; fazemo-lo regularmente e podíamos continuar nesta tradicional hipocrisia. Porém, achámos que era melhor dizermos a verdade. Portanto, dissemo-la e assumimos», adiantou o médico.
 

 

Este caso relança, em França, o debate sobre a morte assistida. Formações políticas de Direita e de Esquerda reuniram-se, anteontem, para pedir a constituição de uma comissão parlamentar de informação, o que deixa admitir a possibilidade de alterações à actual legislação.
 

 

Fonte:Jornal de Notícias
 

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