Medicinas complementares podem ser perigosas para crianças

Estudo publicado na revista “Archives of Disease in Childhood”

02 fevereiro 2011
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O uso de medicinas complementares podem ser perigosas e até fatais para as crianças, se substituídas pela medicina convencional, alerta um estudo publicado na revista “Archives of Disease in Childhood”.

 

Muitas vezes os pais pensam, erradamente, que os tratamentos das medicinas complementares são melhores para seus filhos por serem "naturais" e, portanto, menos susceptíveis de terem efeitos colaterais prejudiciais. Estas conclusões são baseadas no relatório mensal de episódios adversos associados  às medicinas complementares pela Unidade de Vigilância Pediátrica Australiana, entre 2001 e 2003.

 

Durante este período, ocorreram 46 casos de eventos adversos associados ao tratamento com medicina complementar, incluindo quatro mortes. Mas dado que apenas 40 questionários foram preenchidos, e um desses foi um duplicado, o número de casos validados foi apenas 39. Os relatórios destacaram várias áreas de interesse, incluindo a substituição da medicina convencional por terapias da medicina complementar; alterações das receitas de medicação aconselhadas pelos praticantes de medicinas complementares; e restrição alimentar, na crença de que isso iria curar os sintomas.

 

Em mais de três quartos dos casos (77%), os eventos adversos foram considerados como prováveis ou definitivamente relacionados com as medicinas complementares, e em quase metade dos casos (44%) os pediatras disseram que a criança tinha sido prejudicada pela falta do tratamento convencional em favor das terapias alternativas.

 

Os relatórios incluíram crianças de todas as idades, desde o nascimento até aos 16 anos, tendo variado na sua gravidade. Quase dois terços dos casos (64%) foram classificados como ameaça à vida, grave ou fatal. Os eventos adversos relatados foram: hemorragia e dor devido a reacções alérgicas, obstipação, úlceras na boca, convulsões, vómitos, atraso no crescimento, infecções, desnutrição e morte.

 

Todas as quatro mortes foram relacionadas com a substituição do tratamento convencional pelas medicinas complementares. Estes incluíam o caso de uma criança de oito meses, internada no hospital com desnutrição e choque séptico, após ter sido submetida a um tratamento naturopata para a prisão de ventre, que consistiu numa dieta de leite de arroz a partir da idade de três meses. Uma das outras mortes envolveu uma criança de 10 meses que desenvolveu choque séptico após o tratamento com homeopatia e uma dieta restrita para o eczema crónico.

 

Dois dos eventos adversos foram associados a overdoses de medicamentos das medicinas complementares, que, segundo os autores do estudo, os pais muitas vezes não os considerarem, na crença de que os produtos são naturais e inofensivos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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