Medicina tradicional chinesa deveria ser combinada com a convencional

Defende um especialista alemão

07 outubro 2014
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A medicina tradicional chinesa (MTC) “tem de ser combinada” com a convencional e deve ser praticada por alguém com experiência médica, pois não se trata apenas de aprender a espetar agulhas nos sítios certos, defendeu um especialista alemão.
 

“Um bom acupuncturista consegue ler a letra de médico [muitas vezes quase ilegível], deve ser capaz de explicar o que se passa e como vai intervir e aplicar uma solução específica para cada pessoa”, disse à Lusa o médico neurocientista que trabalha há 30 anos com a medicina chinesa Johannes Greten Heidelberg, e que o antigo diretor Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Nuno Grande, convidou para coordenar um mestrado na área.
 

Johannes Greten Heidelberg defende que a investigação é a chave para o futuro da técnica ancestral, que “nunca pode andar sozinha” e “tem de ser combinada com a convencional. Temos de encontrar um sistema para combinar as duas coisas”, acrescentou.
Para o médico, “o sucesso triplica” quando os acupuncturistas têm “algum antecedente ligado à medicina”, como “ter sido paramédico”, e conhecem o sistema de diagnóstico da MTC.
 

“Um especialista que se limita a colocar agulhas sempre no mesmo sítio é uma pessoa tecnicamente hábil para colocar agulhas, mas inábil cientificamente”, explicou.
 

De acordo com Johannes Greten Heidelberg, que integra a Fundação Germano-Chinesa de Investigação de MTC, isso explica a necessidade da investigação no domínio da medicina chinesa. “Se não conseguirmos explicar a um médico ou a um utente o que estamos a fazer, é mais difícil integrarmo-nos. Precisamos de provas científicas e controlo de qualidade”, sustentou.
 

Relativamente à integração da MTC no Serviço Nacional de Saúde, o especialista nota que “na Alemanha isso é normal” e que, em Portugal, teria de ser feito de forma “racional”, nomeadamente com pessoas “com a aprendizagem correta”.
 

Johannes Greten Heidelberg começou por se formar em medicina, mas logo no primeiro ano conheceu “um mestre do Japão” que colocou na sua cabeça “o vírus da MTC”.
 

“Primeiro, porque [a MTC] ajuda, e não há nada mais importante do que o sucesso. Depois, porque eu achava que era um milagre, uma questão em aberto. Agora contribuí para a desmistificar, para perceber como funciona”, disse o médico, explicando que levou 33 anos para a entender verdadeiramente.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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acupunctura

“Um bom acupuncturista consegue ler a letra de médico [muitas vezes quase ilegível], deve ser capaz de explicar o que se passa e como vai intervir e aplicar uma solução específica para cada pessoa”, disse à Lusa o médico neurocientista.

Pergunto eu: E se não souber ler bem a letra de médico (erradamente quase ilegível) já não pode ser bom acupunctor? Que triste e até estúpida observação vinda de um médico.

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