Medicamentos vulgares podem influenciar o nosso comportamento

Estudo publicado no “Current Biology”

22 julho 2015
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Os medicamentos perfeitamente comuns podem influenciar o nosso comportamento, sugere um estudo publicado na revista “Current Biology”.
 

Os níveis de serotonina e dopamina têm sido associados a comportamentos agressivos e antissociais e estudos como este ajudam a perceber por quê.
 

Este estudo debruça-se sobre a base neuronal que está por trás de perturbações clínicas caracterizadas por uma falta de preocupação com os outros, como a psicopatia.
 

Molly Crockett, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, líder do estudo, explica que “as nossas conclusões poderão influenciar potenciais linhas de tratamento para o comportamento antissocial, pois ajudam a perceber de que forma a serotonina e a dopamina afetam a disposição de uma pessoa fazer mal a outra para seu próprio benefício”.
 

Pessoas saudáveis a quem foi receitado Citalopram, um inibidor seletivo de recaptação da serotonina eficaz no tratamento da depressão, estavam dispostas a pagar quase o dobro para impedir que fosse feito mal a elas próprias ou a terceiros em comparação com pessoas a quem tinham sido dados medicamentos placebo durante uma experiência realizada pela Universidade College London, no Reino Unido. Pelo contrário, pessoas saudáveis que tomaram um medicamento com dopamina usado no tratamento da doença de Parkinson, a Levodopa, revelaram-se mais egoístas e menos altruístas, preocupando-se mais em evitar que lhes fizessem mal do que com o mal que pudesse acontecer a outros.
 

O estudo foi conduzido por investigadores da Universidade College London e da Universidade de Oxford e patrocinado pela Wellcome Trust.
 

O objetivo do estudo foi comparar quanta dor as pessoas estavam dispostas a infligir em si ou noutros anonimamente em troca de dinheiro. Participaram 175 adultos saudáveis, dos quais 89 tomaram Citalopram e 86 Levodopa ou um medicamento placebo.
 

Os participantes foram depois organizados em pares e cada indivíduo assumiu um papel diferente. Um seria o decisor e o outro o recetor e as identidades de cada um seriam desconhecidas.
 

Os participantes depois receberiam choques de acordo com o seu limiar absoluto de dor para que a intensidade da dor fosse tolerável e os choques eram dados na sequência das decisões dos decisores.
 

Foram realizadas 170 experiências. Os decisores foram levados para uma sala sozinhos e sentaram-se à frente de computador. Depois tinham de decidir quantos choques suportavam ou estavam dispostos a infligir ao recetor em troca de diferentes quantidades de dinheiro, que lhes seriam de facto atribuídas. Os decisores sabiam que os choques seriam de facto infligidos e que as suas decisões seriam mantidas em segredo.
 

Em média, as pessoas que tomaram o medicamento placebo estavam dispostas a pagar 0,50 € por choque para evitar a sua própria dor e cerca de 0,60 € para evitar a dor de terceiros. Aqueles que tomaram Citalopram pareciam ter mais receio da dor, estando dispostos a pagar cerca de 0,85 € por choque para evitar que lhes fosse infligida dor, e cerca de 1€ para evitar a dor dos outros.
 

Os participantes que tinham tomado Levodopa não estavam dispostos a pagar mais para poupar os outros. Em média, estavam dispostos a pagar cerca de 0,50 € por choque para evitarem sentir dor ou que outros a sentissem. Isto significa que, em média, foram dados mais dez choques a terceiros durante a experiência em comparação com o grupo placebo. Estes participantes também demonstraram hesitar menos em decidir infligir dor através dos choques a outros, tomando a decisão mais rapidamente do que o grupo placebo.
 

Crockett explica que com este estudo se demonstrou que medicamentos prescritos normalmente influenciam a tomada de decisão sobre questões morais de pessoas saudáveis, o que levanta questões éticas acerca da utilização destes medicamentos.
 

Ressalva, no entanto, que é necessário aprofundar esta investigação para perceber se este tipo de medicamentos afeta pessoas que os tomam por razões médicas da mesma forma que afetam pessoas saudáveis.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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