Medicamentos vendidos em Portugal ineficazes na prevenção da diabetes e hipertensão arterial

Estudo da Duke University

16 março 2010
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Os medicamentos vendidos em Portugal são ineficazes na prevenção da diabetes e hipertensão arterial, revela um estudo divulgado recentemente nos EUA, ao qual a agência Lusa teve acesso.

 

O estudo, apresentado no fim-de-semana passado na conferência anual do Colégio Americano de Cardiologia, em Atlanta, EUA, envolveu a participação de 9.306 participantes de 40 países.

 

Os investigadores da Duke University, na Carolina do Norte, EUA, concluíram que o antidiabético Nateglinida não permite evitar a progressão da diabetes em pessoas de risco e que, por outro lado, o hipertensor arterial Valsartan não consegue uma redução significativa do risco de acidente cardiovascular e cerebrovascular na população estudada.

 

Um dos responsáveis pela investigação, Robert Califf, revelou que "a maioria dos especialistas julgava que o Nateglinida travava a diabetes e que o Valsartan reduzia o risco cardíaco neste grupo de doentes. O mais interessante, em relação ao Naterglinida, é que os seus efeitos foram mesmo contrários ao esperado".

 

Um terço da população portuguesa sofre de diabetes ou está em risco de vir a sofrer desta doença e o Nateglinida tem venda autorizada desde Abril de 2001 sendo vendido mediante receita médica obrigatória.

 

Em declarações à agência Lusa, o director clínico da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), João Gardete Correia, revelou que o Naterglinida só é administrado em Portugal a doentes com diabetes.

 

João Gardete Correia chama à atenção para o facto de a população-alvo do estudo apresentar o que os especialistas designam de "pré-diabetes", ou seja, manifestam alterações na tolerância à glucose, registando valores intermédios entre os que não são e os que são diabéticos.

 

O director clínico explica que o estudo “pretendia provar que estes medicamentos - em comparação com um placebo - diminuíam o risco de a pessoa avançar para a diabetes ou de sofrer acidentes cardio e cerebrovasculares”, explicou, acrescentando que o mesmo não detectou “eficácia em termos de prevenção”.

 

O Nateglinida é “pouco utilizado” em Portugal, existindo “muitas outras opções” mas, quando é administrado, é já em doentes com a diabetes diagnosticada, revelando-se eficaz nessa fase, afirmou. Relativamente ao Valsartan, tem autorização de comercialização em Portugal desde 2001, é de receita médica obrigatória e é bastante prescrito pelos médicos para o controlo da hipertensão arterial.
 

A adopção de modos de vida saudáveis defendida pelos autores do estudo foi apoiada por João Gardete Correia, para quem a melhor prevenção passa pela prática de exercício e por uma alimentação saudável.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

 

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