Medicamentos utilizados no tratamento do refluxo gástrico podem causar danos renais

Estudo publicado no “Journal of the American Society of Nephrology”

19 abril 2016
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A toma prolongada de determinados medicamentos utilizados para tratar a acidez estomacal, o refluxo ácido e as úlceras pode conduzir a danos nos rins e à doença renal grave, sugere um estudo publicado no “Journal of the American Society of Nephrology”.
 

Os inibidores da bomba de protões reduzem o ácido produzido pelas glândulas na mucosa do estômago. Estes fármacos são comumente utilizados para aliviar os sintomas do refluxo ácido ou doença do refluxo gastroesofágico, uma condição em que há passagem do conteúdo gástrico para o esófago. Os inibidores da bomba de protões também são utilizados para tratar as úlceras pépticas e lesões no esófago inferior causada pelo refluxo ácido.
 

Estima-se que, em 2013, 15 milhões de americanos tenham sido medicados com inibidores da bomba de protões. Contudo, este número pode estar um pouco subestimado uma vez que estes fármacos podem ser adquiridos sem prescrição.
 

De forma a avaliar a segurança deste tipo fármacos, os investigadores do Centro de Epidemiologia Clínica do Sistema de Saúde VA St. Louis e da Universidade de Washington, nos EUA, analisaram a base de dados do Departamento de Assuntos Veteranos.
 

Os investigadores, liderados por Yan Xie e Ziyad Al-Aly, identificaram 173.321 novos utilizadores de inibidores da bomba de protões e 20.270 novos utilizadores de bloqueadores dos recetores H2 da histamina, uma classe alternativa de fármacos utilizada também para impedir a acidez do estômago.
 

Ao longo dos cinco anos do período de acompanhamento, verificou-se que os pacientes que tomavam inibidores da bomba de protões eram mais propensos a desenvolver uma perda da função renal comparativamente com aqueles que tomavam bloqueadores dos recetores H2 da histamina.

 

Os indivíduos que tomavam inibidores da bomba de protões também apresentavam um risco 28% maior de desenvolverem doença renal crónica e um risco 96% maior de desenvolver insuficiência renal. Foi também observada uma relação gradual entre a duração da toma dos inibidores da bomba de protões e o risco de problemas renais. Aqueles que tomavam este tipo de fármacos há mais tempo tinham um risco maior de desenvolver problemas renais.

 

Na opinião de Ziyad Al-Aly, estes resultados enfatizam a importância de limitar o uso de inibidores da bomba de protões para situações médicas estritamente necessárias e também limitar a duração da toma para o menor tempo possível. “Muitos pacientes começam a tomar inibidores da bomba de protões e continuam muito mais tempo do que o necessário”, concluiu o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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