Medicamentos inovadores são travados por preço e atrasos na aprovação

Conclusões de especialistas convidados pela Escola Nacional de Saúde Pública

04 dezembro 2014
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Os principais obstáculos ao acesso dos doentes a medicamentos inovadores para o cancro, que permitem aumentar em cerca de 60% a taxa de sobrevivência, são os preços elevados e a dificuldade de introdução e aprovação no mercado português.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, estas são as principais conclusões de um grupo de peritos convidado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) para tentar identificar as principais limitações no acesso aos medicamentos oncológicos inovadores e estudar alternativas,que foram apresentadas esta semana durante o “Think Tank” “Pensar a Saúde”.
 

A professora da ENSP e coordenadora do “Think Tank”, Ana Escoval, explicou que a falta de acesso à inovação terapêutica em oncologia se deve a vários fatores, entre os quais “o elevado preço dos medicamentos inovadores e a incapacidade de gerir a entrada de novas tecnologias terapêuticas face ao contexto económico e financeiro do país”.
 

Em Portugal, durante o ano de 2013, a despesa com medicamentos em meio hospitalar foi de 974,8 milhões de euros, sendo que os imunomoduladores, os antivíricos e os citotóxicos representaram 58,8% da despesa, de acordo com dados do Infarmed.
 

O grupo de reflexão envolvido no estudo aponta igualmente como um dos principais obstáculos ao acesso a terapêuticas inovadoras “a demora na aprovação dos fármacos - o estudo de avaliação económica, formulário nacional hospitalar, comissão de farmácia e terapêutica, as barreiras administrativas na aprovação e aplicação dos ensaios clínicos”.
 

As soluções propostas pelos especialistas passam pelo envolvimento dos cidadãos (através das associações de doentes) no processo de tomada de decisão, pela adoção de um modelo de financiamento que acompanhe o doente, pela centralização da decisão terapêutica em centros de referência e pela discussão e avaliação prévia de casos.
 

Os especialistas sugerem ainda a alteração da forma de relacionamento do setor público com as indústrias da saúde, numa ótica de parceria e compromisso desde a investigação às relações comerciais, passando pelo acesso à informação e prestação de contas de todos os intervenientes para melhorar as tomadas de decisão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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