Medicamentos e calor: uma conjugação que pode ser perigosa

Infarmed faz lista de fármacos a evitar

14 julho 2004
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O Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) e a Direcção-Geral de Saúde (DGS) estão desde quarta-feira a alertar, nos respectivos «sites», para os efeitos potencialmente nocivos de determinados medicamentos, em caso de onda de calor. Ainda que os medicamentos não sejam, por si só, factores desencadeadores de esgotamentos e golpes de calor, alguns podem agravar indirectamente os seus efeitos, ao interferirem com os mecanismos de adaptação do organismo a temperaturas elevadas, explicam. Para o organismo arrefecer, é necessário que o sistema nervoso central esteja em condições de regular a dilatação dos vasos sanguíneos, permitindo uma adequada circulação do sangue e transpiração. Na lista dos fármacos que podem afectar a reacção do organismo ao calor figuram os que aumentam a eliminação de água (por exemplo, os diuréticos), os que diminuem a tensão arterial ou alteram o estado de vigilância. O Infarmed e a DGS recomendam mesmo «vigilância acrescida» para os antihipertensores, os antiarrítmicos, os neurolépticos, os sais de lítio e os antiepilépticos, tal como os medicamentos para o tratamento de enxaqueca, alguns antibióticos (particularmente sulfamidas) e anti-inflamatórios, certos antidepressivos e antiparkinsónicos. Aconselham ainda que nunca se interrompa o tratamento sem indicação médica, não se consuma bebidas alcoólicas, dado que estas agravam a desidratação, e não se tome qualquer fármaco sem a orientação de um médico ou farmacêutico. E recomendam aos profissionais de saúde que listem e avaliem todos os medicamentos que o doente está a tomar e evitem a prescrição de anti-inflamatórios não esteróides, em caso de desidratação, e de paracetamol, em caso de febre. O Infarmed alerta igualmente para a necessidade de cuidados especiais para a conservação de determinados medicamentos (os que normalmente são conservados no frigorífico devem ser transportados em sacos isotérmicos refrigerados, mas evitando a congelação) e sublinha que, no caso de algumas formas farmacêuticas (como por exemplo, cremes, óvulos, supositórios), o risco de alterações devido à temperatura é acrescido, pelo que é necessário ter atenção à sua aparência e consistência. A DGS recorda que os cuidados devem ser redobrados nos estados febris, nos caso de doentes com idade avançada ou nos primeiros anos de vida, com limitação de autonomia (nomeadamente acamados), pessoas com excesso de peso e com uma ou mais doenças crónicas, particularmente cardíacas, renais, respiratórias, neurológicas ou psiquiátricas.Fonte: Público

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