Medicamentos à base de insectos na mira de empresa francesa

Besouros e borboletas têm propriedades importantes para combater infecções

16 outubro 2001
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Besouros e borboletas têm propriedades importantes para combater infecções. A notícia é, no mínimo curiosa, mas uma empresa de biotecnologia francesa acredita nas sua potencialidades e vai desenvolver, em conjunto com cientistas chineses, medicamentos à base destes insectos.
 

 

A empresa francesa, Entomed SA anunciou ontem o projecto e espera ter o apoio do Instituto de Entomologia de Xangai.
 

 

Sediada em Estrasburgo, a Entomed AS afirma ser a única companhia do mundo a usar insectos em prol da medicina e espera iniciar os testes clínicos da primeira droga experimental em meados do próximo ano.
 

 

 

Segundo o director-executivo da empresa, Mario Thomas, 50 por cento dos medicamentos modernos são derivados de plantas e micróbios, mas, até ao momento, desconhece fármacos feitos à base de insectos. «Os dois milhões de espécies de insectos catalogados em todo o mundo desenvolveram sistemas imunológicos sofisticados ao longo de 500 milhões de anos». Evolução que, segundo o especialista, permitirá o desenvolvimento de uma variedade de moléculas para combater bactérias e outros patógenos.
 

 

A primeira droga experimental da Entomed, a ETD 151, foi extraída da larva de uma borboleta da América do Sul. Os testes, que começam no segundo semestre de 2002, destinam-se ao tratamento de infecções fúngicas que proliferam em hospitais.
 

 

Na mira da empresa estão também outros produtos destinados a combater outras doenças e promover a cicatrização.
 

 

Experiência chinesa
 

 

Extractos de insectos, bem como a compreensão do uso destes animais na medicina chinesa são os principais contributos que o Instituto de Xangai irá fornecer à companhia francesa.
 

 

Há séculos que os extractos de insectos são usados no país asiático com o intuito de tratar diversas doenças, como infecções, dores estomacais e inflamações.
 

 

No momento, e segundo Thomas, a equipa francesa de 30 cientistas só analisou o material químico de 200 espécies de insectos, recolhidas pela Entomed desde a sua fundação, em 1999.
 

 

Mas os cientistas sabem já quais são os insectos que possuem os agentes mais promissores. «Descobrimos que passam por uma metamorfose completa tendem a produzir peptídeos (pequenas proteínas que podem ser usadas como drogas) mais potentes».
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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