Medicamento para o glaucoma pode tratar tuberculose?

Estudo publicado na revista “Antimicrobial Agents and Chemotherapy”

10 agosto 2015
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Um medicamento habitualmente utilizado no tratamento do glaucoma pode ser também eficaz no combate à tuberculose, sugere um estudo publicado na revista “Antimicrobial Agents and Chemotherapy”.
 
Os investigadores do Estado de Michigan, nos EUA, descobriram que a etoxzolamida, presente em muitos dos fármacos prescritos para o glaucoma, na verdade, inativa a capacidade da bactéria causadora da tuberculose, Mycobacterium tuberculosis (M tuberculosis), de invadir o sistema imunológico.
 
De acordo com o líder do estudo, Robert Abramovitch, o etoxzolamida inibe a capacidade de a bactéria crescer dentro de determinados leucócitos, os macrófagos.
 
O M tuberculosis tem uma grande sensibilidade para detetar sinais ambientais no organismo, bem como uma grande capacidade de adaptação. Um desses sinais inclui alterações no pH para níveis acídicos. Estas alterações informam a bactéria de que está a ser alvo de um ataque por parte da célula imunitária hospedeira.  
 
O composto que os investigadores agora identificaram consegue inibir esta capacidade da bactéria em detetar os ambientes acídicos, ficando, por isso, incapaz de resistir ao ataque do sistema imunológico.
 
Para o estudo os investigadores analisaram 273 mil compostos diferentes na esperança de encontrar um que possivelmente impedisse a doença. Através da utilização de um biossensor que fica fluorescente em resposta a condições que mimetizam a infeção por M tuberculosis, os investigadores identificaram a etoxzolamida.
 
Este composto, para além de impedir potencialmente a disseminação da doença, também poderá ajudar a encurtar a duração de tratamento e abrandar o problema da resistência aos fármacos. Os tratamentos atuais podem ter uma duração de cerca de seis meses.
 
O investigador explica que a razão principal para o aparecimento de estirpes resistentes aos fármacos é a longa duração do tratamento. “É difícil para um paciente completar o curso total da terapia necessário para matar todas as bactérias. A diminuição da duração do tratamento irá ajudar a abrandar o desenvolvimento destas estirpes resistentes”, conclui Robert Abramovitch.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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