Medicamento contra os efeitos do tabaco

Cientistas desenvolvem fármaco para prevenir cancro do pulmão

12 março 2003
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Todos os fumadores com vontade de largar o vício sabem o que passam para, de uma vez por todas, deixar o cigarro. E, embora, o ideal seria deixar simplesmente de fumar, prevenir os danos causados ao pulmão é, já por si, uma grande ajuda.
 

 

É precisamente isso que um grupo de cientistas tem vindo a pesquisar. Investigadores da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos Estados Unidos, descobriram que o gene Sonic Hedgehog (Shh) tem um papel central no desenvolvimento do cancro do pulmão. E estão já a elaborar novas drogas que poderiam ser utilizadas para prevenir os danos causados ao pulmão pelo cigarro.
 

 

Note-se que o fumo é responsável por 99 por cento dos casos do cancro do pulmão mais letal, o cancro nas pequenas células. O gene descoberto tem uma série de funções, entre as quais a de ajudar na recuperação do tecido pulmonar em adultos e no desenvolvimento de pulmões propriamente ramificados em embriões.
 

 

O estudo, publicado na semana passada na revista científica Nature, sugere que os danos sérios ao pulmão - provocados pelo fumo - causam o envio em excesso de mensagens para que os tecidos sejam reparados. Como consequência, muitas células novas são criadas - o que acaba por originar o cancro.
 

 

Drogas que «desligam» essa mensagem poderiam ajudar a prevenir os danos no pulmão, de acordo com os cientistas. «A constante agressão causada ao pulmão pelo cigarro faz que a trilha do gene, que normalmente está adormecida, fique presa em constante actividade, produzindo células novas em excesso e resultando em cancro», diz Neil Watkins, coordenador do estudo.
 

 

Embora esteja apenas na fase de testes em ratinhos, as drogas já mostraram um elevado potencial de bloqueio da actividade do gene. Uma substância chamada cyclopamine é a mais promissora. No entanto, o medicamento só deverá ser testado em seres humanos daqui a três anos, no mínimo.
 

 

Apesar dos resultados promissores deste estudo, activistas antitabagismo alertam que novos tratamentos contra o cancro não devem ser uma alternativa a parar de fumar. «Obviamente, é importante que os estudos continuem para identificar as causas do cancro, bem como as formas de tratá-lo», disse Amanda Sandford, porta-voz da organização antifumo americana Action on Smoking and Health. «Mas, quando se trata do fumo, a mensagem é simplesmente: não comece. E se já for um fumador, pare.»
 

 

Segundo Sandford, tratamentos como o que estão a ser desenvolvidos serão sempre secundários, e a única forma de prolongar a esperança de vida é não fumar.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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