Medicamento contra o colesterol pode combater HIV
21 novembro 2001
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Medicamentos que reduzem a taxa de colesterol no organismo podem ser capazes de reduzir a proliferação do HIV – vírus causador da doença da Sida.
 

 

A descoberta foi feita por cientistas do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e, segundo o estudo, publicado ontem no jornal Proceedings of the National Academy of Sciences, a remoção de colesterol de células pode inibir a acção do HIV.
 

 

Esta nova descoberta baseou-se em estudos recentes, os quais verificaram que o vírus HIV consegue entrar e sair das células humanas. Os cientistas descobriram que o HIV pode precisar de placas de colesterol na superfície da célula para conseguir essa movimentação. Por isso, segundo o estudo, a remoção do colesterol inibiria o trânsito do vírus no organismo.
 

 

Caso se comprove, o fenómeno representará um incrível avanço para medicamentos que, segundo estimativas, já salvam milhares de pacientes com problemas cardíacos todos os anos.
 

 

Os investigadores observaram em pormenor a capacidade do vírus em vencer a dupla cobertura que cada célula humana possui. No momento, já sabem que, para o HIV conseguir entrar numa célula, um componente químico do vírus chamado Gag precisa ligar-se à membrana. A equipa americana descobriu que esse componente ligava-se a áreas da membrana ricas em colesterol, denominadas de «balsas». Uma vez que o HIV encontra o seu caminho através da membrana, ele pode multiplicar-se e sair para contaminar outras células.
 

 

 

No entanto, o vírus pode não conseguir entrar na célula. Neste caso, a sua capacidade de «reprodução» é severamente reduzida.
 

 

A equipa de cientistas está agora a estudar várias maneiras de usar essa informação para bloquear o HIV e o Gag. Em testes laboratoriais, os cientistas usaram um composto que remove o colesterol da superfície da célula e um outro que impede a produção de colesterol. Utilizados individualmente, ambos reduziram significativamente a capacidade do HIV em formar partículas que poderiam infectar as células. Entretanto, quando os dois compostos foram usados juntos, o HIV ficou quase totalmente incapaz de se reproduzir.
 

 

Apesar das descobertas serem importantes, a investigação ainda se encontra numa primeira fase. Depois dos testes em laboratório, os investigadores vão experimentar a droga em portadores do vírus da Sida.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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