Medicamento centenário reverte sintomas de autismo em ratinhos

Estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”

20 junho 2014
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Um fármaco utilizado quase há um século no tratamento da doença do sono foi capaz de restaurar a comunicação celular num modelo animal do autismo e reverter os sintomas da doença em animais com uma idade biológica equivalente aos 30 anos humanos, dá conta um estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”.
 

De acordo com os investigadores da Universidade de Califórnia, nos EUA, estes resultados vão de encontro à ideia recentemente formada de que o autismo é causado por vários fatores interligados. “Vinte por cento dos fatores associados ao autismo conhecidos são genéticos, mas a maioria não o é. É errado pensar que os fatores ambientais e genéticos são independentes. Estes dois fatores interagem sendo o resultado desta interação o metabolismo”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Robert K. Naviaux. O investigador acrescenta que as alterações no metabolismo são um dos sintomas universais do autismo.
 

Quando as células são ameaçadas ou danificadas por agentes patogénicos , por substâncias químicas ou ainda por forças físicas, os seus processos metabólicos internos são alterados e a comunicação entre as células diminui. Esta é a chamada resposta das células ao perigo, que se persistir, pode resultar em danos permanentes. Na infância pode mesmo conduzir a um atraso no desenvolvimento do sistema nervoso.
 

De acordo com os autores do estudo, as células comportam-se como países em guerra. Perante algum tipo de ameaça deixam de confiar nos seus vizinhos e o seu comportamento é afetado. No caso dos neurónios, estes podem começar a estabelecer poucas ou demasiadas ligações. À luz do autismo, “quando os neurónios deixam de comunicar entre si, a criança deixa de falar”, referiu referiu o investigador.
 

Neste estudo, os investigadores analisaram o sistema de sinalização celular envolvido neste processo, tendo-se focado no papel dos nucleótidos, como o ATP, e aos recetores associados ao autismo, conhecidos como recetores purinérgicos, aos quais os nucleótidos se associam.
 

Os investigadores testaram assim o efeito do conhecido inibidor da atividade destes recetores, a suramina – um fármaco sintetizado pela primeira vez em 1916. Foi verificado que a administração da suramina a ratinhos geneticamente modificados para apresentarem sintomas de distúrbios do espetro autista bloqueou a resposta das células ao perigo. As células e o metabolismo dos animais voltaram à normalidade e os comportamentos associados ao autismo foram revertidos.
 

Os autores do estudo referem que apesar de estarem conscientes que ainda há um longo caminho a percorrer até se conseguir obter a cura nos humanos, esta é uma nova forma de analisar e enfrentar o autismo.  

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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