Medicação utilizada no cancro pode melhorar a memória

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

07 outubro 2015
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Um fármaco utilizado no tratamento do cancro pode facilitar aprendizagem de uma língua, melhorar a memória e ajudar as pessoas com demência e doença de Alzheimer, restabelecendo as ligações cerebrais e mantendo os neurónios vivos, dá conta um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.
 
Os investigadores da Universidade de Rutgers, nos EUA, descobriram que a administração do fármaco RGFP96 em ratinhos fez com que estes prestassem mais atenção ao que estavam a ouvir, aumentassem a capacidade de retenção e se lembrassem de mais informação, e desenvolvessem novas ligações que permitiram que estas memórias fossem transmitidas entre as células do cérebro.
 
A memória, em condições neurológicas como a doença de Alzheimer, é muitas vezes deficiente ou está ausente por completo quando uma pessoa está nos estadios avançados da doença. “Este fármaco pode recuperar a capacidade de produzir novas memórias ricas em detalhes e conteúdo, mesmo nos piores cenários”, referiu, em comunicado uma das autoras do estudo, Kasia M. Bieszczad.
 
O que acontece nas demências do tipo de doença de Alzheimer é que as células cerebrais encolhem e morrem, pois as sinapses que transferem informação de um neurónio para o outro ficam fracas e instáveis. Atualmente não há nenhuma terapia que seja capaz de reverter esta situação.
 
O fármaco testado nos animais pertence a uma classe conhecida por inibidores HDAC, que são atualmente utilizados na terapia contra o cancro para parar a ativação de genes que transformam as células saudáveis em cancerígenas. No cérebro, o fármaco torna os neurónios mais plásticos, com uma maior capacidade de estabelecer ligações, e criam alterações positivas que aumentam a memória. 
 
Os investigadores descobriram que nos ratinhos ensinados a ouvir um determinado som com o objetivo de receber uma recompensa, a administração do fármaco após o treino fez com que estes se lembrassem melhor do que tinham aprendido do que aqueles que não tinham sido tratados.
 
O estudo apurou também que os animais estavam mais sintonizados para os sinais acústicos relevantes que ouviram durante a sua formação. Um achado que, na opinião do líder do estudo, Kasia M. Bieszczad, é importante, uma vez que a configuração do cérebro para processar e armazenar melhor os sons significativos é fundamental para o discurso humano e para a linguagem.
 
"Os indivíduos que aprendem a falar novamente após uma doença ou lesão, bem como aqueles submetidos a implante coclear para reverter a surdez podem ser, no futuro, ajudados por este tipo de tratamento. Este pode também ajudar as pessoas com atrasos na aprendizagem da linguagem ou pessoas que estão a tentar aprender uma segunda língua”, disse a investigadora.
 
Esta hipersensibilidade no processamento da informação auditiva permite que os neurónios se reorganizem e criem novas vias, permitindo que uma maior quantidade de informação aprendida se torne numa memória de longo prazo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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