Medicação para Alzheimer reverte danos cerebrais por álcool em jovens

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

05 setembro 2019
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Investigadores do Centro Médico da Universidade Duke, na Carolina do Norte, EUA, descobriram de que forma a bebedeira intermitente na adolescência altera o hipocampo e como o donepezil reverte esses danos.
 
Scott Swartzwelder, autor sénior, introduz que “os adolescentes que bebem desde cedo e de forma recorrente durante a adolescência têm défices na função cerebral que podem afetar a aprendizagem e a memória e despoletar ansiedade”.
 
Para o estudo foram utilizados ratos com o cérebro em desenvolvimento a quem induziram níveis de álcool no sangue consistente com aqueles dos adolescentes humanos quando bebem em excesso.
 
Foi observada inflamação no cérebro e inibição de crescimento de novos neurónios no hipocampo. Swartzwelder acrescenta que o excesso de álcool pode mesmo acelerar a morte dos neurónios.
 
Assim que os ratos atingiram a idade adulta, foi-lhes administrado donepezil, um medicamento que melhora a função cognitiva. Quatro dias depois, os ratos mostravam menos inflamação no hipocampo e uma melhor capacidade para produzir novos neurónios, comparando com os ratos que não tomaram o medicamento.
 
A exposição ao álcool pode alterar a maneira como as células nervosas comunicam entre si e a plasticidade dos circuitos cerebrais, comprometendo a capacidade de o cérebro se adaptar. Estas alterações podem ser detetadas já na idade adulta, muito depois de já ter acabado o período das bebedeiras.
 
Swartzwelder conclui que este estudo ajuda a alertar para os perigos do consumo de álcool em excesso nos jovens, mas que, apesar de não se saber se os efeitos positivos do donepezil são permanentes, pelo menos são uma porta para novas terapêuticas. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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