Medalhas de Honra L'Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência

Sida, regeneração de medula e produção de bioenergia foram os trabalhos premiados

17 janeiro 2013
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A L'Oréal Portugal premiou três investigadoras portuguesas pelo estudo da resistência do vírus da sida aos antirretrovirais, da regeneração da medula e da produção de energia limpa, a partir de uma bactéria.
 

Ana Ribeiro, um das investigadoras premiadas com o galardão de 20 mil euros, está a estudar a resistência do VIH aos medicamentos antirretrovirais. Caso o estudo tenha sucesso poderá ajudar as terapêuticas de primeira linha, melhorando a qualidade e a esperança de vida dos doentes, e definir mecanismos de prevenção da transmissão das resistências aos antirretrovirais. Em Portugal, cerca de oito por cento dos doentes infetados de novo com o vírus da sida são contagiados com estirpes com mutações de resistência aos antirretrovirais.
 

"O que nós não sabemos é como é que estão a ser transmitidas, quais as mutações que são mais transmitidas e por que é que são transmitidas umas preferencialmente às outras", afirmou à agência Lusa a investigadora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, realçando que o VIH "é um vírus que evolui muito rapidamente".
 

O trabalho de Ana Ribeiro, 32 anos, investigadora no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, tem como objetivo perceber por que é que o peixe-zebra consegue regenerar a sua medula, e no que é que ele difere em relação aos mamíferos.
 

"Isto poderá ser útil no futuro para desenvolver novas terapias ou terapias mais eficientes para os humanos", disse Ana Ribeiro. Segundo a investigadora, o peixe-zebra quando sofre uma lesão na medula espinal fica paralisado, mas, passado um mês, recupera a sua função motora e volta a nadar. Tal deve-se à regeneração celular da medula.
 

O estudo procurará "identificar as células estaminais neurais da medula do peixe, e tentar perceber como são capazes de dar origem a diferentes tipos de células".
 

Por último, Leonor Morgado, 29 anos, investigadora no Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, centrou-se na bactéria Geobacter sulfurreducens, que se encontra nas lamas e nos sedimentos, para estudar a produção de energia elétrica "amiga" do ambiente.
 

De acordo com a cientista, a bactéria tem "capacidade de transferir eletrões para o exterior das suas células", favorecendo a "remoção de compostos poluentes do meio ambiente" (biorremediação), e o "uso de células microbianas, nas quais os microrganismos crescem produzindo corrente elétrica" (bioenergia).
 

No seu estudo, Leonor Morgado propõe-se comparar as eficiências da transferência de eletrões para o exterior em bactérias com diferentes formas de proteínas.
 

"Medalhas de Honra L'Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência" é um programa científico que foi lançado em 2004, numa parceria entre a marca de cosméticos, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a Comissão Nacional da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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