Mecanismo que faz brilhar pirilampos é semelhante ao do Viagra
28 junho 2001
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Os pirilampos utilizam um mecanismo similar ao do medicamento Viagra para produzir a sua bioluminescência, o brilho com que procuram atrair um par.
 

 

Uma equipa de investigadores da Universidade Tufts e do Hospital Brigham de Boston (Massachusets) estudou estes animais e descobriu que o óxido nítrico, uma molécula mensageira, desempenha um papel chave na iluminação intermitente dos seus corpos.
 

 

O óxido nítrico (ON) é o mesmo composto químico que ganhou recentemente notoriedade no tratamento das disfunções erécteis humanas, sendo o "mediador" que estimula o medicamento Viagra.
 

 

Segundo Barry Trimer, o cientista que dirigiu esta investigação, o óxido nítrico é a chave para que os pirilampos acendam e apaguem as suas "lanternas" durante o processo de acasalamento. "Conhecíamos o mecanismo químico que fazia brilhar os pirilampos, mas agora obtivemos a peça do puzzle que faltava para explicar como podem acender e apagar este dispositivo", indicou Trimer.
 

 

Trimer, em conjunto com Sara Lewis, também da Universidade de Tufts, e Thomas Michel, do Brigham Hospital de Boston, vão publicar os resultados do seu trabalho na edição de hoje, sexta-feira, da revista Science.
 

 

Trimer explicou que as "lanternas" dos pirilampos, que ocupam grande parte do seu abdómen, contêm milhares de células especializadas, chamados "fotocitos", porque emitem luz. Dentro desses fotocitos, existem substâncias químicas denominadas "luciferina" e "luciferasa", as verdadeiras responsáveis pela produção da luz, que reagem quando entram em contacto com o oxigénio.
 

 

Segundo Trimer, o flash luminoso dos pirilampos acende-se quando o sistema nervoso envia um sinal para a "lanterna". O "mensageiro" que torna esta reacção possível é o óxido nítrico.
 

 

"Os pirilampos são animais muito românticos que dedicam toda a sua vida adulta ao processo de acasalamento", explicou Sara Lewis.
 

 

A iluminação é própria tanto dos machos como das fêmeas, ainda que cada um emita luz em diferentes frequências."Não sabemos se outros animais bioluminescentes utilizam o mesmo processo que os pirilampos, mas é possível", sublinhou Barry Trimer.
 

 

A emissão de luz é um privilégio de vários seres vivos, desde bactérias a medusas e peixes, em alguns casos com fins de atracção sexual e, em outros, como nas enguias, como sistema de defesa em forma de descarga eléctrica.
 

 

Para os investigadores, foi uma surpresa descobrir que o óxido nítrico é a "chave" da luz que os pirilampos emitem durante o acasalamento, sendo, simultaneamente, o químico mais importante entre os mediadores que favorecem a relação sexual entre os seres humanos.
 

 

 

Lusa
 

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