Mecanismo de desenvolvimento neuronal descoberto em Coimbra

Colaboração da Universidade de Coimbra com Universidades internacionais

13 agosto 2019
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Uma equipa de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) decifrou um importante mecanismo de regulação do desenvolvimento do sistema nervoso.
 
A descoberta foi objeto do artigo "Synaptogenesis Stimulates a Proteasome-Mediated Ribosome Reduction in Axons", recentemente publicado na revista cientifica Cell Reports, e "pode abrir caminho a novos estudos sobre as lesões da medula e doenças como a Esclerose Lateral Amiotrófica", salientou a UC em comunicado enviado à agência Lusa.
 
A investigação, realizada em parceria com a Universidade de Cornell (EUA), o Instituto Italiano de Tecnologia (Itália) e a Universidade Nacional de Seul (Coreia do Sul), permitiu perceber como o processo de "sinaptogénese leva ao desaparecimento dos ribossomas durante a maturação dos axónios".
 
O axónio funciona com um canal de comunicação dos neurónios, permitindo o contacto com outros neurónios ou outras células do corpo humano, através de uma estrutura especializada designada de sinapse, que permite a transmissão de informação entre as células nervosas.
 
O CNC-UC explica que, "durante o desenvolvimento do sistema nervoso, os neurónios passam por um processo de maturação, no qual ocorrem transformações significativas ao nível do axónio".
 
"Uma dessas modificações é a alteração do número de ribossomas (pequenas estruturas que funcionam como máquinas de produção de proteínas)", acrescenta.
 
O estudo pretendeu identificar os mecanismos que regulam essa alteração, dado que, "de uma forma até agora não entendida, após a maturação dos axónios, o número de ribossomas nos axónios é reduzido", refere o líder da equipa de investigação, Ramiro Almeida, citado na nota.
 
O estudo utilizou modelos animais e celulares e, em ambos os casos, foi observado que a formação de novas sinapses era responsável pela redução do número de ribossomas nos axónios.
 
A equipa de investigadores acredita que este decréscimo, após a maturação dos neurónios, ocorre devido a uma menor necessidade de formação de novas proteínas, "que é mediada pelo sistema de ubiquitina-proteossoma (responsável pela degradação de componentes celulares)".
 
Segundo a UC, estas conclusões poderão ter um impacto relevante no estudo de lesões vertebro-medulares.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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