Maus tratos têm consequências graves para o cérebro das crianças

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

26 junho 2014
  |  Partilhar:

Os maus tratos das crianças estão associados a uma diminuição da substância cinzenta do cérebro,  responsável pelo processamento da informação, sugere um estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”.
 

Estudos anteriores já tinham sugerido que os maus tratos poderiam conduzir a alterações na estrutura do cérebro das crianças. No entanto, os investigadores da Fundação María Angustias Giménez, em Espanha, defendem que os resultados dos estudos que analisaram a extensão com que estas alterações ocorriam foram inconsistentes.
 

Assim neste estudo os investigadores analisaram os resultados de 12 estudos anteriores que tinham utilizado um método imagiológico capaz de identificar as diferenças anatómicas cerebrais entre dois grupos de indivíduos. Os estudos incluíram a participação de 56 crianças ou adolescentes e 257 adultos, com antecedentes de maus tratos, assim como 56 crianças e 306 adultos sem este tipo de antecedentes. Através de um técnica desenvolvida por um dos autores do estudo, Joaquim Radua, os investigadores foram capazes de determinar o volume de substância cinzenta de cada indivíduo.
 

O estudo apurou que, comparativamente com os indivíduos sem antecedentes de maus tratos, aqueles que tinham sido expostos a este tipo tratos apresentavam, em determinadas áreas do cérebro, volumes de substância cinzenta menores. Os indivíduos que tinham sido submetidos a maus tratos apresentavam uma redução de substância cinzenta no giro temporal orbitofrontal/superior, amígdala, no giro para-hipocampal, no giro temporal médio e no giro frontal inferior esquerdo.
 

Os investigadores verificaram que a redução mais consistente do volume de substância cinzenta ocorria em aéreas cerebrais envolvidas no controlo cognitivo, na região pré-frontal ventrolateral e na região límbica temporal
 

Uma vez que estas regiões do cérebro se desenvolvem relativamente tarde, os investigadores acreditam que isto pode explicar por que motivo algumas das vítimas têm um controlo cognitivo afetado.
 

De acordo com Joaquim Radua, “estes resultados mostram que a exposição a ambientes adversos na infância pode ter consequências sérias no desenvolvimento do cérebro”.
 

“Esperamos que estes resultados ajudem a reduzir os riscos ambientais durante a infância e a desenvolver tratamentos capazes de estabilizar estas alterações morfológicas”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.