Maus tratos infantis: serviços de saúde estão mais atentos

Declarações do Instituto Nacional de Medicina Legal

12 dezembro 2012
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Os serviços de saúde estão a participar mais casos de maus tratos em crianças, sobretudo bebés, ao Instituto de Medicina Legal, revelando “um olhar mais atento e preocupado” dos médicos para estas situações, segundo uma responsável do Instituto Nacional de Medicina Legal.
 

“A nível das perícias [médico-legais] notamos que há uma maior procura por parte dos serviços dos hospitais que estão, cada vez mais, a detetar situações que outrora não detetavam”, revelou à agência Lusa a diretora da Delegação do INML.
 

Teresa Magalhães explicou que esta situação não quer dizer que os casos não existissem, os profissionais é que não estavam tão alerta e orientados para o seu diagnóstico.
 

Agora, “os médicos a nível dos hospitais e centros de saúde estão mais alertados, mais atentos, mais preocupados, mais formados relativamente a esta problemática e estão mais capazes de identificar os casos e não os deixar passar como meros acidentes”, realçou, comentando que “é um bom sinal”.
 

O INML tem estado a monitorizar estas situações e “não há nenhum aumento significativo de violência. Estão é a detetar-se casos diferentes que não eram detetados e que nos deixavam muito preocupados porque sabíamos que existiam”, acrescentou.
 

Teresa Magalhães refere que as crianças que chegam ao instituto são de todas as idades, mas são sobretudo bebés, cujo diagnóstico é sempre mais difícil de fazer porque não falam.
 

“Os hospitais têm alertado para casos que até aqui não eram visíveis”, como crianças com fraturas ósseas e bebés vítimas da síndrome do bebé sacudido, que provoca uma lesão cerebral grave resultante da força com que o bebé foi abanado e pode provocar danos graves ou permanentes e até a morte.
 

Teresa Magalhães adiantou que a denúncia destas situações é obrigatória, porque se tratam se casos que constituem crime público, e que requerem uma “intervenção que se quer cada vez mais articulada” entre as várias instituições.
 

Deolinda Barata da Sociedade Portuguesa de Pediatria já tinha referido, na semana passada, que os maus tratos físicos e a negligência a crianças estão a aumentar com as dificuldades das famílias, que não conseguem assegurar necessidades básicas como alimentação, vestuário e uma casa digna. “Estamos a andar para trás na história dos maus tratos. E voltámos a ver maus tratos hediondos”, disse à agência Lusa. Para a coordenadora o núcleo de crianças e jovens em risco do Hospital D. Estefânia esta situação deve-se, em parte, ao desespero das famílias que, quando excluídas, perdem as suas referências e veem-se “privadas de dar um colo aconchegante” aos filhos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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