Maus-tratos infantis e a importância dos médicos na sua deteção

II Congresso Nacional de Ortopedia Infantil

24 março 2014
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Um olhar mais atento de um médico salvou a vida a um bebé quando desconfiou da marca de um beliscão que, afinal, era um dos vários sinais dos maus-tratos que a criança sofria.
 

Este foi um dos exemplos apresentados ao longo do II Congresso Nacional de Ortopedia Infantil, que decorreu na semana passada, e que reforçou a importância dos profissionais de saúde na deteção de maus-tratos infantis.
 

“Esse médico, porque suspeitou das equimoses provocadas por um beliscão – que o pai atribuiu a uma queda –, foi investigar e descobriu que o bebé tinha ainda várias fraturas nas costelas e marcas oftalmológicas, salvando-lhe a vida”, disse à agência Lusa a professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Teresa Magalhães.
 

A especialista apresentou várias imagens de maus tratos “fáceis de detetar”, como os provocados por banhos em água a ferver, violações, queimaduras de cigarro, com secadores de cabelo, cortes, entre outros, mas alertou também para os “mais difíceis de detetar”. Na sua opinião na “na dúvida, deve sinalizar” aos organismos respetivos, como as comissões de proteção de menores. O objetivo é salvar a vida destas crianças, que podem não ter uma outra oportunidade.
 

Teresa Magalhães afirmou que o empenho dos profissionais de saúde – tal como os educadores na idade escolar – é determinante para a resolução destes casos e considerou que o envolvimento destes é hoje muito mais concreto, com resultados visíveis.

O presidente da Federação Europeia das Sociedades de Ortopedia e Traumatologia, Cassiano Neve, também acrescentou que os profissionais de saúde, perante uma suspeita de maus tratos, devem atuar.
 

“Ter medo deste confronto [com os progenitores ou quem traz a criança ao serviço de saúde] não é razão para metermos o saco na cabeça”, disse.
 

O especialista em ortopedia infantil deixou, contudo, um aviso: “Não há nada pior do que acusar uma família sem ter um estudo completo da criança. Na dúvida, é melhor internar a criança até ter um diagnóstico”.
 

A este propósito, lembrou que existem doenças – como a osteogenesis impefecta, que consiste numa fragilidade muito acentuada dos ossos – que podem assemelhar-se a marcas de maus tratos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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