Mau acesso à saúde reprodutiva

Estudo do Fundo Populacional das Nações Unidas

22 junho 2004
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 O acesso da população global a serviços de saúde reprodutiva continua a ser bastante deficiente, apesar da maioria dos países terem introduzido na última década medidas para lidar com o problema, afirmaram esta semana vários especialistas. Responsáveis do Fundo Populacional das Nações Unidas (UNFPA) em Genebra referem, ainda assim, que há sinais de «grande progresso» na implementação de estratégias para garantir melhorias «na saúde maternal» e na protecção das populações em questões sexuais e reprodutivas. Contudo, os mesmos peritos estimam que mais de 600 mil mulheres morram anualmente e mais de 18 milhões fiquem feridas ou cronicamente doentes, em virtude de complicações durante o parto, mas que podem ser prevenidas. O risco de morte durante o parto é duas vezes maior para jovens entre os 15 e os 19 anos e cinco vezes maior para adolescentes entre os 10 e os 14 anos. Cerca de 13 por cento das mortes maternais (aproximadamente 18 mil por ano) podem ser directamente atribuídas a complicações resultantes de abortos sem segurança, «quando praticamente todas estas mortes poderiam ser evitadas com sistemas seguros de aborto». Estima-se que anualmente 1,4 milhões de jovens entre os 15 e os 19 anos efectuem abortos inseguros» e que mais de 250 milhões de mulheres em todo o mundo continuem sem acesso a sistemas reprodutivos eficientes. Igualmente preocupante, todos os anos há 14 milhões de jovens com menos de 19 anos que se tornam mães e um terço de mulheres adolescentes relatam que a sua primeira experiência sexual foi «forçada». As Nações Unidas estimam que anualmente ocorram 330 milhões de infecções sexualmente transmitidas, metade das quais entre jovens. Dados dos avanços conseguidos nos últimos 10 anos foram avaliados num estudo publicado ontem pela UNFPA, e divulgado em Genebra, que se inserem numa sondagem global a 179 países sobre os progressos desde a conferência populacional do Cairo, de 1994. A sondagem refere que a maioria dos países tem feito «grandes esforços» para implementar as recomendações do encontro de Cairo, introduzindo legislação que apoia e proteger mulheres e jovens e que fomenta acções no campo da saúde reprodutiva. Mais de 90 por cento dos países sondados integraram já questões de planeamento familiar e de maternidade segura nos seus sistemas básicos de saúde. Parte do insucesso de campanhas neste campo continua a dever-se, como admitiram hoje os responsáveis da UNFPA, ao papel de vários líderes das principais religiões mundiais que se mostram «totalmente contra a agenda da ICPD». Fonte: Lusa

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